A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO

Dentre os elementos que compõem a estrutura de uma economia, no longo prazo, a educação – o investimento no capital humano- é tão (ou mais) importante do que os investimentos em capital físico e em infraestrutura. A educação eleva a produtividade de um sistema econômico, gerando ganhos em rendas pessoais aos trabalhadores que, segundo pesquisas realizadas nos EUA, para cada ano de estudo acrescido, uma pessoa tem seu salário elevado em 10%. Ademais, um povo educado tem maiores noções de cidadania, é mais politização e menores níveis de tolerância com desvios dos recursos públicos.

Pesquisas realizadas demonstram que um trabalhador americano, sozinho, produz o equivalente a quatro trabalhadores brasileiros. Este fato decorre, fundamentalmente, da falta de treinamento e preparação do brasileiro para o mercado de trabalho. O economista da Fundação Getúlio Vargas, Fernando Veloso, em reportagem publicada na folha de São Paulo de 05/2015, é claro ao estabelecer uma distinção que se torna trágica ao nosso país: “O brasileiro estuda em média sete anos. Nem completa o ensino fundamental. Nos EUA são de 12 a 13 anos, o que inclui uma a etapa do ensino superior, sem mencionar a qualidade do ensino.” Indo um pouco além nesta triste contabilidade nacional, consoante estudos da Fundação Dom Cabral, a média de treinamento de um trabalhador americano é de 130 horas. No Brasil, 30 horas por ano. Uma sensível diferença, que se projeta no resultado final do PIB.
Não podemos, entretanto, ver o mundo somente pelos olhos do reducionismo científico dos economistas, ou pelos almejados ganhos de empresários e empreendedores com a existência de um capital humano mais qualificado. É preciso enxergar pessoas atrás de números e a própria humanização que o ensino projeta em uma sociedade. Ou seja, investimentos em educação não geram somente pessoas economicamente mais produtivas, mas cidadãos, política e socialmente mais ativos. Inúmeras pesquisas demonstram uma correlação direta entre tolerância com a corrupção e o nível de educação de uma sociedade. Quanto mais anos de estudo tem uma determinada sociedade, menor a corrupção nos setores públicos e privado e a própria tolerância para com ela. Há estudos, também, que apontam serem as sociedades mais educadas, portanto mais civilizadas, menos violentas.
No Brasil, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o gasto anual por aluno é de 2.985 dólares, enquanto a média mundial é de US$ 8.952, incluindo-se aí, somente, os países ricos e os emergentes. Além de investir pouco, na comparação mundial, ainda investimos mal, insistindo na velha ideia criada na tradição portuguesa do bacharelismo, convivendo com currículos defasados e, sobretudo, de poucos atrativos a estudantes de escolas públicas, que têm, talvez, em seu colégio, sua escola, os únicos instrumento e reduto para conquistar uma vida longe da violência, exclusão social e pobreza.
A nossa realidade são escolas públicas caindo aos pedaços, professores desmotivados, currículos desconectados com a realidade e não preparatórios, sequer, para ensinar profissões aos nossos jovens. Cada vez mais abrimos um fosso entre o ensino público e o privado, não acessível aos mais pobres, perpetrando o círculo vicioso entre pobreza, falta de oportunidades para ascensão social pela via do aprendizado e exclusão, o que mantém a injusta concentração de renda nacional, uma das maiores do mundo.
Ao fim e ao cabo, perdemos todos. Perde o Brasil, perde o futuro de nossa nação. Perdem os trabalhadores, que ganham menos. Perdem os empresários e empreendedores, que produzem e vendem menos. Só não perdem os governantes corruptos. Estes adoram um povo sem cultura e politização.

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