DESRESPEITO COM O SERVIDOR PÚBLICO

Imagine um homem, 32 anos, pai de família, que todos os dias sai de casa para trabalhar sem saber se voltará ao lar com vida. Mesmo assim, ele não mede esforços para combater a criminalidade nas ruas. No entanto, no final do mês ele se depara com um mísero depósito de R$ 350 na sua conta corrente. O valor, que não paga nem a taxa de condomínio para morar, é o salário dele para os próximos dias – por tempo indeterminado. E nem adianta mais pedir empréstimo no banco porque este homem não tem mais créditos suficientes e o juro é muito alto e ele está fazendo isso há mais de um ano. Ou seja, não há dinheiro nem para arcar com as mínimas despesas necessárias para o sustendo da sua família.

Este personagem é um policial militar, mas poderia ser qualquer outro servidor público do Rio Grande do Sul. Todos estão sofrendo e nenhum merecia passar por esta realidade lamentável. Antes que digam, eu faço questão de deixar claro que não usei o exemplo do brigadiano por ser corporativista, mas porque passei na pele situações iguais a essa. Não é de agora que somos desvalorizados pelo Estado. Muitas vezes tive que comprar, do meu próprio bolso, farda, cobertura, colete e coturno para fazer policiamento nas ruas. Até mesmo já precisei colocar créditos no meu celular para fazer ligações a trabalho. Hoje ainda vejo muitos colegas fazendo tudo isso e com salários parcelados. E aí eu pergunto, qual é a motivação que esses homens e mulheres têm para arriscar suas vidas pela segurança da sociedade? Como vamos exigir o melhor deles se não recebem as mínimas condições de trabalho?

Posso garantir que a Brigada Militar só não parou ainda porque lá tem pessoas comprometidas de verdade. Comprometidas com a missão de oferecer segurança para o próximo. Porém, governador Sartori, até quando teremos que viver só de comprometimento?

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