A RUA FELICIDADE NO MAPA

Refletindo sobre felicidade e a vida fútil e demasiadamente acelerada que levam os nobres da Corte da série Game Of Thrones e na ‘carona’, pensando também sobre os menos de 1% de brasileiros que vivem no alto e apertado último degrau da pirâmide social, em sua novela diária de luta para não cair; uma novela destemperada e desequilibrada por overdose de wisque, ilusão, intriga, inveja, ambição, neurose, covardia, hipocrisia, corrupção, guerra, violência e cocaína.

Chego à conclusão de que leva uma vida bem menos irreal e infeliz, do que a maioria imagina, o ser humaninho, que conseguindo passar ao lado de toda essa podridão (e daqueles que conscientes ou não, buscam e alimentam esse tipo de vida), dela não se contamina.

E – desde que não seja um completo imbecil – CONDUZ seus últimos dias sob o sol, cultivando sua hortinha de especiarias, seu pomar de jabuticabeiras, parreiras e laranjeiras, sua grama; que aprende a linguagem da cauda e do olhar de seus animais domésticos. Que sempre acha um tempo para parar, respirar e pensar…. Procurando a forma mais honesta de dar e receber o máximo de AMOR PURO daqueles espíritos que no decorrer dos dias (e das noites), têm se mostrado – os mais CAROS.

Vamos falar sério, quantos desses figurões (e fanfarrões) sabem o prazer que se tem ao pescar alguns lambaris ali na volta das pedras na Prainha do Prado. Da conversa honesta, fácil e despretensiosa com os primos Armerindo, Calo e o Airton. Do concreto feito à mão, com a mão do pai e do irmão. De abrir as janelas da casa pela manhã e ver a passarinhada a ciscar minhocas no gramado e a roubar ração da tigela dos cuscos.

Quantos deles sentam com seus pais e tomam – PARCIMONIOSAMENTE – um chimarrão, enquanto falam de um passado de superação, numa tarde de terça-feira chuvosa?

Mesmo para eles (Os NOBRES) que podem ir almoçar no Caribe ao meio dia, pescar salmões no Alasca à tarde, nadar no Mediterrâneo no entardecer ou pernoitar à noite em Dubai, NÃO lhes é permitido ficar (assim como eu) junto de sua filhinha de 5 anos todas as manhãs. Falta-lhes o pasmo essencial que só existe nas coisas naturais e simples!

Colocar uma roupinha limpa e perfumada quando ela se acorda, lavar-lhe o rostinho, fazer um delicioso copo de leite com sucrilhos, assistir junto com ela a Peppa Pig e depois caminhar nove ou dez quadras pelo bairro… E enquanto dançamos com nossas sombras, ir lhe mostrando os singulares quadros, da galeria VIDA, que vão aparecendo a nossa frente a cada passo que demos sob o olhar atento do sol, na rua FELICIDADE.

É fato. A felicidade realmente não tem preço. Um mapa talvez, mas muito pessoal e singular. Um mapa construído com as tintas da sensibilidade, simplicidade e da lucidez com certeza. Um mapa complexo demais para a velocidade das lebres. Perfeito para o planar leve e atento da águias!

” Ao sentir a coerção exterior, certos indivíduos não se abaixam, nem se contaminam: apartam-se, refugiam-se em si mesmos, para se elevarem a um extremo, de onde contemplam o arroio lamacento que corre murmurando, sem que no seu murmúrio, se ouça um único GRITO.” ( J I., O Homem Medíocre)

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