SENHOR PRESIDENTE SENHORES VEREADORES. Como mudou a Brigada Militar !

Quando foi criada pelo então General ANTONIO ELIZIÁRIO DE MIRANDA E
BRITO, como Corpo Policial da Província de São Pedro do Rio Grande do
Sul, pela Lei nº 7, em 18 de novembro de 1837, tinha organização, disciplina
e vencimentos iguais aos do Exército Imperial , com a forma legal de policialmilitar.
Mas a Brigada Militar mudou!
Em 1873, transformou-se em Força Policial, em 1889 mudou para Guarda
Cívica e, logo em seguida, para Corpo Policial.
E novamente mudou a Brigada, em outubro de 1892, quando recebeu o
nome glorioso de BRIGADA MILITAR DO ESTADO, que ainda hoje
conserva, apesar de algumas tentativas infrutíferas de mudá-lo.
Mudou mais a Brigada Militar, desde quando, Brigada guerreira, se fez
presente na Revolução Federalista de 1893, cruenta e enlutadora, passando
por todos os principais movimentos armados que eclodiram no País, até o
episódio da Legalidade, em 1961, e a Revolução de Março de 1964 .
As táticas e estratégias bélicas, entretanto, que predominaram no passado,
transformaram-se em modernos caminhos de bem servir.
E foi assim que, num mundo e num Rio Grande em mudança, a Brigada
Militar soube , paulatinamente, avaliar as novas necessidades da população
que, insatisfeitas, lhe caberia atender e, aos poucos mas proficientemente,
reestruturou-se para assumir novas e importantíssimas missões, como a de
prevenção e combate a incêndios, o policiamento rodoviário, o policiamento
de trânsito, o policiamento florestal e ecológico e também o policiamento
ostensivo.
Mudou, assim, a formação técnico-profissional, admitiram-se civis na
administração e mulheres nos Quadros formais da Corporação e os Oficiais
e Praças passaram a ter um nível instrucional e cultural invejável,
absolutamente necessário e à altura das exigências da população.
Gabinete VER. JOÃO CARLOS NEDEL WPC
BRIGADA MILITAR – 161 ANOS 13.11.98
E o Estado do Rio Grande do Sul pode hoje se orgulhar de ter uma
Corporação Policial-Militar de primeira grandeza, pois é referência nacional e
internacional, sob qualquer ótica que se a olhe, histórica, social, técnica,
cultural ou profissionalmente.
Mudou muito a Brigada, desde sua criação.
Mudou muito, sim, no sentido de ampliar a abrangência, a natureza e a
qualidade dos serviços que sempre prestou ao Rio Grande e ao Brasil.
Mas, nessas mudanças todas que houve, mantiveram-se intactas, na
orientação e na prática diuturna, sua destinação histórica e constitucional de
preservação da ordem pública e do policiamento ostensivo, bem com sua
condição de força auxiliar e reserva do Exército Nacional.
Não foram poucas, entretanto, ao longo do tempo, as tentativas de desviá-la
dessa condição, inclusive de desmilitarizá-la, como recentemente tentaram
alguns grupos, e que, felizmente para o Rio Grande e para o Brasil, não
tiveram êxito e, se Deus quiser, jamais haverão de ter.
Não foram poucas, também, as agruras sofridas pela Brigada, em sucessivos
tempos, em termos de incompreensão, de absoluta carência de
equipamentos, de desprestígio governamental e de aviltamento de salários.
Mas a Brigada Militar, apesar de tudo isso, no perlongar da história do Rio
Grande, que vem há 161 anos ajudando a construir e de que faz parte
inalienável, soube sempre ajustar-se às circunstâncias e a elas se superpor,
mudando no que foi necessário e conveniente mudar, mas conservando
intocados sua base e fundamento, pois inalterados se mantiveram os
princípios que lhe dão razão de ser e as características essenciais de sua
organização policial-militar.
Senhor Presidente, Senhores Vereadores.
Entendo, que a homenagem que hoje esta Casa presta à Brigada Militar,
muito além da homenagem em si, deve representar um manifesto de
gratidão a essa Força Pública que tantos serviços presta ao povo portoalegrense
e gaúcho.
E que essa gratidão se deve dirigir a cada um dos seus componentes : desde
o Comandante Geral até o mais simples PM, desde os que militam no dia-adia
na dura e perigosa tarefa de rua até os que se dedicam às tarefas de
Gabinete VER. JOÃO CARLOS NEDEL WPC
BRIGADA MILITAR – 161 ANOS 13.11.98
planejamento, organização e controle dessas atividades, sem esquecermos,
também, aqueles que, no decurso dos tempos, dedicaram suas vidas ao
serviço do povo, na Brigada Militar, e hoje desfrutam da justa e merecida
aposentadoria.
Mas especialmente, senhor Presidente, gostaria de ressaltar, nesta
homenagem, aqueles brigadianos que, quase sempre anonimamente, foram,
no cumprimento do dever, mortos ou inutilizados para a vida profissional,
muitas vezes deixando mulher e filhos em dificílima situação de vida, sem se
verem apoiados por quaisquer organizações especializadas, em visível
contraste com o que freqüentemente acontece quando as vítimas são
assaltantes, terroristas e outros bandidos do mesmo gênero.
Fica aqui, então, senhor Presidente, em nome da Mesa Diretora, proponente
desta homenagem, o registro de nossa inteira solidariedade à Brigada Militar
em tudo quanto realizou e realiza, a nossa satisfação com todas as
mudanças promovidas e o nosso pedido a cada uma das autoridades, atuais
e futuras, a todos os níveis, no sentido de que valorize sempre a gloriosa
Brigada Militar do Estado, permitindo-lhe evoluir do mesmo modo como tem
feito há 161 anos, em favor de Porto Alegre, do Rio Grande e de seu povo.
Para finalizar, Senhoras e Senhores, gostaria de, saudando todos os
componentes da Brigada Militar, evocar aqui o nome de meu saudoso amigo
e companheiro, brigadiano da mais alta têmpera, forjado em luta intensa,
convicção pura e dedicação plena à Força que tanto amou, além de cristão e
chefe de família exemplar , o Coronel ODILON ALVES CHAVES,
tragicamente desaparecido, e que agora está seguramente na presença de
Deus, intercedendo feliz pelo progresso e a evolução da sua querida Brigada
Militar.
Por tudo quanto tem feito por nosso Estado, muito obrigado à Brigada Militar
do Estado !

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