SENHOR PRESIDENTE. SENHORAS E SENHORES VEREADORES.

• TROPA DE ELITE é livro que faz sucesso na Feira do Livro de Porto Alegre, como
tem sido sucesso, nos cinemas do Brasil inteiro, o filme dele originado. Esse sucesso não
advém da qualidade do livro como peça literária, nem do filme como obra da sétima
arte, pois são bem fracos, no meu entender, e, sob esse aspecto, mereceriam pouco
relevo. O sucesso vem do fato que a trama compõe, como se fossem uma só coisa, a
triste realidade do mundo do crime e a ficção em torno do seu combate.
• O crime assumiu dimensões assustadoras no Brasil. Ele não se confina nas favelas e no
sub-mundo, mas se produz e se expande a partir inclusive dos órgãos encarregados de
combatê-lo – e isso vale para o Brasil inteiro.
• É inegável que o crime está sendo combatido arduamente, muitas vezes por meios
heterodoxos, nem sempre éticos ou morais, mas também, por que não dizer, às vezes até
necessários.
• Mas, na atual conjuntura social e institucional, em que proliferam a droga e a violência,
em que há um forte desvirtuamento dos objetivos precípuos das instituições, que
resultam no descrédito generalizado, é comum ser necessário até o emprego de força
para a detenção de um criminoso ou para a captura de um foragido da justiça.
• E, logo a seguir, ouvirem-se críticas à polícia, em defesa do “coitadinho” detido, ou
assistir-se ao favorecimento daquele criminoso com o regime de progressão de pena,
podendo até mesmo escolher o local onde prefere “hospedar-se”, de onde lhe seja mais
fácil escapar de novo.
• Pessoalmente, já ouvi queixas de soldados da Brigada Militar, sobre a desmoralização
de que se sentem vítimas quando, após prenderem alguém em flagrante delito, verem o
criminoso sair livre da delegacia, por fruto de algum recurso legal, antes mesmo de o
policial-militar ter voltado ao seu posto de trabalho.
• A flexibilidade das leis, a tibieza de muitos de seus aplicadores e a corrupção que
permeia as instituições são os grandes responsáveis por situações como essa: bandidos à
solta e famílias obrigadas à reclusão entre grades, em flagrante inversão de posições.
• A população se sente, então, desamparada, desprovida do legítimo direito de ir e vir, e
incapaz de obter solução para tão grave problema. Não é de surpreender ninguém,
portanto, que ocorram iniciativas, nem sempre louváveis, no sentido de corrigir as
distorções que o sistema, como está, produz e consagra.
• Assim, TROPA DE ELITE não é um mal incausado, um mal por si só, mas é, isto sim,
um sintoma de um mal maior que nos aflige.
• Não tenho informação de que algo semelhante à Tropa de Elite, como foi retratada no
livro e no filme, ocorra no Rio Grande do Sul. Mas não me espantaria se ocorresse, pois
as variáveis determinantes são muito assemelhadas. A diferença que existe – e é uma
diferença muito substancial – está na Brigada Militar do Estado.
• No próximo dia 18, a Brigada Militar irá completar 170 anos de existência, em cujo
decurso tem visto sucederem-se, no Rio Grande e no Brasil, governos e governantes de
diferentes matizes ideológicos, alguns dos quais inclusive lhe ameaçaram a natureza
organizacional, a finalidade, a estrutura e a própria existência.
• Sobreviveu a tudo, sem jamais se afastar da reto caminho, registrando em sua história
páginas antológicas de dedicação, de esforço, de superação e de heroísmo.
Gabinete do Vereador JOÃO CARLOS WPC
Brigada Militar 169 anos 09.NOV.2006
• Se o seu cenário de atuação, no passado guerreiro, eram os campos de batalha, hoje o
cenário é urbano ou rural. Mas nem por isso as páginas atuais deixaram de ser de
dedicação, de esforço, de superação e de heroísmo. Ao contrário, tais qualidades foram
tornadas superlativas.
• Se no passado os meios de luta eram equivalentes, lutava-se frente a frente, contra
inimigos perfeitamente identificados e segundo regras que até o mais cruel e
empedernido dos adversários costumava respeitar, hoje o inimigo se esconde por trás
das fachadas mais diversas, sejam elas óbvias como um matagal ou a escuridão, sejam
inesperadas como uma residência, uma instituição, um cargo público ou um terno com
gravata. E, de onde menos se espera, pode vir a ação contra a ordem e a segurança,
destruindo o patrimônio, roubando vidas e comprometendo instituições.
• Graças a Deus, a Brigada Militar é diferenciada também em sua tropa de elite, elite de
verdade, capaz de realizar o seu trabalho, de alta qualificação, sem precisar apelar
para métodos ilegais, e, ao mesmo tempo, inspirar confiança na população e dela
receber apoio e reconhecimento.
• A tropa de elite da Brigada é a Força inteira. Toda a Brigada é elite e tem sabido
descartar com presteza e correção aqueles que eventualmente se afastem do reto
caminho do dever e da honra.
• Senhores Oficiais e Praças da Brigada Militar. É o povo de Porto Alegre que, através
de seus legítimos representantes, hoje quer homenagear a Brigada Militar, pelos seus
170 anos de existência. É uma homenagem de louvor, sim, mas é também de
reconhecimento pelos tantos e tão excelentes serviços que a Brigada presta a nossa
gente.
• Mais do que isso, é uma homenagem por gratidão, que se estende a cada um dos seus
componentes, desde o Comandante Geral até o mais simples PM, aos que trabalham
nas cidades e no campo, aos que trabalham na administração, no planejamento, e
controle das atividades, lembrando, ainda, aqueles que dedicaram suas vidas ao serviço
do povo e hoje desfrutam da justa e merecida aposentadoria.
• Destaco ainda, Senhora Presidente, e homenageio de modo especial, aqueles
brigadianos que, no cumprimento do dever, foram mortos ou inutilizados para a vida
profissional, muitas vezes deixando mulher e filhos em dificílima situação de vida, sem
se verem apoiados por quaisquer organizações especializadas, em visível contraste com
o que freqüentemente acontece quando as vítimas são assaltantes, terroristas e outros
bandidos do mesmo gênero.
• Parabéns, Brigada Militar e brigadianos de todos os postos e graduações. Temos muito
orgulho de nossa Brigada Militar, que é tão grande quanto o Rio Grande do Sul. E
temos orgulho dos brigadianos, que são o povo gaúcho fardado.
• Que Deus abençoe a todos.

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