Parentes e amigos importantes ajudam!

As recentes decisões do Supremo Tribunal Federal dando liberdade ao senador Aécio Neves, neto de Tancredo Neves, presidente eleito indiretamente em 1984 e do deputado Rodrigo Rocha Loures, amigo de Michel Temer, atual presidente do país, mostram que, mesmo com provas substanciais contra os políticos, a proximidade ou parentesco com autoridades ajudou para que voltassem aos seus cargos.

Mas as delações premiadas de Joesley Batista trouxeram para o público acusações graves contra o senador Aécio Neves, o qual, segundo o delator, teria solicitado dois milhões de reais para pagar a defesa dentro da Lava-Jato, enquanto o deputado Rocha Loures foi filmado pela Polícia Federal apanhando 500 mil reais com um executivo da JBS, que faria parte de pagamentos semanais neste valor por vinte anos.

As denúncias e resultados da investigação levaram ao afastamento dos cargos que ocupavam, com a prisão de Rocha Loures, porém para os ministros do STF, mesmo com tais acusações de corrupção dos políticos, podem continuar desempenhando atividades parlamentares e lidando com dinheiro público, como se nada houvesse acontecido.

Causa indignação por não ser um caso isolado, inúmeras decisões judiciais tem favorecido acusados de corrupção no país, parecendo para a população que existem dois sistemas judiciais, um que mantém presos acusados de roubarem dez reais e outro que mantém em liberdade quando os valores chegam aos milhões de reais.

O foro privilegiado permite que ocupantes de cargos políticos consigam livrar-se de denúncias, permanecendo ilesos às acusações, num sistema que protege os poderosos, enquanto que em situações semelhantes os demais brasileiros mofariam nas cadeias.

Brasília é o paraíso das bancas de advogados que conseguem clientes dispostos a pagar fortunas para não serem acusados, denunciados ou presos, pois os recursos podem arrastar-se por anos, com liminares, suspensões e decisões favoráveis aos privilegiados que surgem no Planalto Central do país.

Sobrevivendo a cada dia

Ser policial é acordar diariamente, ter um pouco de convivência com a família, talvez um café rápido, uma conversa com troca de algum carinho com os parentes, colocar a armadura imaginária que vai proteger o corpo de qualquer tipo de agressão ou violência.

Chegar ao local de trabalho, receber as informações e sair em busca de criminosos que estão lá na rua, praticando crimes, agredindo pessoas, apropriando-se de patrimônio alheio, numa rotina de causar danos às pessoas e levar tristeza para famílias, as quais são vítimas destes inimigos da ordem dentro da sociedade.

Rodar em viaturas, muitas em condições precárias, por ruas onde nenhum outro veículo é capaz de chegar para prestar serviço público para a sociedade, receber xingamentos da população quando precisa prender algum criminoso que mora na comunidade, mas que reclama quando a polícia está ausente.

Um policial nunca sabe o que vai encontrar nas ações diárias, onde terá que agir e verificar informações da prática de crimes, sendo difícil saber quem são os criminosos ou moradores nas residências onde entra durante as operações policiais, podendo ser atingido e perder sua vida.

Mas voltando no tempo, consigo lembrar os muitos anos em que trabalhei, juntamente com tantos outros profissionais da polícia que não tinham coletes à prova de balas, nem armamento com poder de fogo para combater o crime, erámos idealistas, como costumam serem os policiais, que vivem para proteger a sociedade.

Policiais são heróis anônimos que percorrem as cidades, vigiando ruas e residências, protegendo as vidas e o patrimônio, numa ação diária de sair  sem saber se voltam para seus lares, pois a morte é uma ameaça constante.

No recente caso do policial civil, morto em Gravataí, ficou exposta toda esta realidade, onde os policiais sobrevivem a cada dia, assim fico feliz de ter conseguido trabalhar na Brigada Militar e ser um sobrevivente desta rotina de crime e violência.

Reintegração de posse

22 de junho  de 2017 – franquilin.pc@gmail.com
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A legislação brasileira prevê que o proprietário de um imóvel, devidamente documentado e legalizado, caso tenha sua propriedade invadida por terceiros, necessita entrar com ação de reintegração de posse, aguardando decisão judicial para retirada dos ocupantes de seu imóvel, sendo que a disputa judicial entre invasores e proprietários, pode arrastar o processo por anos, com idas e vindas nas decisões judiciais.

No caso de imóveis públicos, muitos desocupados e sem utilização pelos órgãos governamentais, diversas vezes são invadidos por famílias que não possuem moradia, as quais por sua condição econômica acabam por exigir do poder público, quando retiradas, a possibilidade de tornarem-se proprietárias de habitações de cunho social.

Recentemente tivemos o episódio do prédio abandonado pelo Ministério Público há mais de uma década, que foi invadido por dezenas de famílias em novembro de 2015, sendo que desde então o Estado obteve a reintegração da posse, mas devido às medidas de retardamento da ação, foram permanecendo no imóvel.

A decisão de retirada das famílias foi cumprida, na noite de 14 de junho, por oficiais de justiça, apoiados por força policial, os quais após todos os trâmites burocráticos cumpridos, não tiveram êxito na retirada pacífica dos invasores, havendo confronto entre apoiadores da invasão e os policiais, numa ação que foi violenta de ambas as partes, resultando em feridos e presos.

A discussão que se seguiu após a retirada dos invasores, com retomada da posse pelo Estado não era referente à legalidade da ação, mas a forma como foi cumprida, havendo versões conflitantes, sendo alegado por invasores que foram torturados, enquanto que a força policial alega resistência às ordens judiciais, com incitação à violência contra os agentes da lei.

Interessante é que conforme quem governa a lei é interpretada de forma diferente, quando é um governo ligado aos movimentos sociais, há muita negociação, com concessões aos invasores e limitação da ação policial, enquanto que governos contrários aos movimentos há menos diálogo e imediato cumprimento das determinações do Judiciário, ficando a Brigada Militar como instrumento a ser usado pelos governantes para cumprir suas interpretações da lei.

Tudo mentira

14 de junho  de 2017 – franquilin.pc@gmail.com
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O recente julgamento do Tribunal Superior Eleitoral expôs para todos nós que as campanhas eleitorais são financiadas por dinheiro ilícito, mas que a interpretação disso depende de quem ocupa as cadeiras dos julgadores.

Todos os juízes que votaram, tanto contra ou a favor, no processo de cassação da chapa Dilma-Temer, expuseram em seus votos que as denúncias de financiamento ilegal da campanha presidencial traziam fatos verdadeiros e que foram milhões de reais, desviados de diversos escândalos de corrupção, para as contas dos candidatos e seus partidos.

Mas apesar de todas as evidências apresentadas durante o julgamento, restou a absolvição da chapa Dilma-Temer, pois os acusadores, vinculados ao PSDB, não tinham mais interesse no processo, havendo aliança com o governo Temer, após o afastamento de Dilma da presidência.

Os defensores demonstraram não ter argumentos para rebater as acusações, mas deixaram que os juízes que votaram a favor da absolvição da chapa fizessem a defesa, tentando demonstrar que as provas das ilegalidades não deveriam ser consideradas.

Financiamento de campanha no Brasil é um negócio lucrativo, pois empreiteiras e empresas despejam dinheiro em todos os candidatos, depois são agraciados com financiamentos públicos em seus investimentos particulares, aprovados por aqueles candidatos que forem eleitos para os cargos.

Política em nosso país é totalmente desprovida de ética e honestidade, pois somente aqueles que se sujeitam a aceitar as regras do mercado eleitoral, conseguem eleger-se, numa eterna troca de favores entre grupos empresariais e políticos profissionais em arrecadar dinheiro para suas campanhas.

Agora as mentiras das contas das campanhas estão liberadas, porque os doadores podem trazer dinheiro de qualquer origem para os concorrentes, afinal o dinheiro ilícito não parece ser importante, para os julgadores do TSE, no processo eleitoral brasileiro.

Dilúvio no Rio Grande do Sul

08 de junho  de 2017 – franquilin.pc@gmail.com
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As chuvas que caem incessantemente no Rio Grande do Sul estão causando inúmeras enchentes em diversos municípios gaúchos, com cenas de cidades submersas e pessoas sem terem para onde ir, permanecendo por muitos dias em abrigos e ginásios, com alguns pertences e sem perspectiva de melhores dias em suas vidas.

O acúmulo das águas em todas as depressões, sejam naturais ou decorrentes da urbanização e abertura de estradas, forma um cenário de imensos lagos que se estendem por diversas regiões, isolando cidades e comunidades, destruindo plantações e acabando com economias regionais.

As dificuldades decorrentes de tantos dias com chuvas acumulam-se, com estragos em leitos de rodovias, estradas e ruas, o que prejudica a circulação de mercadorias, aumenta o risco de acidentes e mortes, sendo que todas as perdas não serão recuperadas, devido à crise econômica em nosso Estado.

Outro aspecto que deve ser lembrado é o aumento das doenças respiratórias, decorrente da queda da temperatura e umidade, além do risco de transmissão de outras doenças pela falta de condições de saneamento básico, aumentando o risco de epidemias pelos municípios e regiões.

A previsão de mais chuvas pelas próximas semanas só faz aumentar o risco de desabamentos, deslizamentos e inundações em mais cidades, ocorrendo a elevação de rios, prejudicando muitas famílias que, devido a falta de opções de moradia, retornam sempre para as regiões que alagam por ocasiões das chuvas.

Vivemos esta rotina anual de todos os invernos serem chuvosos, com a repetição dos mesmos problemas, falta de estrutura de prevenção para que as mesmas cidades não sejam invadidas pelas águas, assoreamento dos leitos dos rios, destruição das margens e construções irregulares em áreas alagadiças.

Se continuar chovendo a tendência é que tenhamos mais e mais desabrigados, com aumento das regiões alagadas, sem nenhuma solução em curto prazo para o problema das cheias.

Os desabrigados de hoje são os mesmos do ano passado, os quais estavam vivendo nas mesmas regiões atingidas, sendo que possivelmente no inverno de 2018 tudo se repetirá.

Como destruir seu carro

01 de junho  de 2017 – franquilin.pc@gmail.com
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A frota de veículos, que circula no espaço urbano, deveria ter uma estrutura viária com excelentes condições de trafegabilidade, pois o tanto que é arrecadado para essa finalidade, através de impostos, permitiria investimentos no sistema viário das cidades, porém não é o que se observa ao trafegar nas ruas.

Além de asfalto de qualidade ruim, que se desmancha com a passagem dos veículos, formando buracos e desníveis, faltam placas de sinalização e orientação para os motoristas, há diversas obras inacabadas que dificultam a circulação, transporte público deficiente e uma engenharia de trânsito caótica.

As vias urbanas que deveriam permitir o fluxo tranquilo dos veículos, não são adequadas, com pistas insuficientes para fazer frente ao volume da frota, parando totalmente quando acontecem acidentes, pois não existem opções para desviar o trânsito pela falta de planejamento urbano.

A colocação de sinaleiras de forma aleatória, sem estudos referentes ao fluxo, algumas sobrepostas, assim instrumentos que deveriam auxiliar a fluidez, tornam-se barreiras trancando veículos e pedestres.

Veículos com problemas nas suspensões, estragadas pela passagem em crateras, desníveis e outros obstáculos pela falta de manutenção das ruas, problemas mecânicos pelos engarrafamentos que acontecem em todos os horários e frequentes alagamentos que podem causar outros danos.

Placas dos veículos perdidas, pneus danificados, latarias com amassamentos, tudo ocorre pelas vias inadequadas, com seus canteiros, calçadas e cordões sem padrão de construção, falta de espaços para estacionamentos nas ruas e uma enorme gama de problemas que dificultam a circulação nas vias urbanas.

As oficinas mecânicas, borracharias, lojas de autopeças e pneus agradecem pela destruição dos veículos proporcionada pelo sistema viário urbano, que só tende a tornar-se cada vez pior, pois as vias não tem manutenção, sofrem reformas parciais e são inauguradas sem apresentarem todas as condições ideais para o tráfego de veículos e circulação de pedestres.

Brasili: uma ilha de corrupção

28 de maio de 2017 – franquilin.pc@gmail.com
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Os esquemas de corrupção não são novidade no Planalto Central, pois Brasília nasceu com enormes investimentos públicos numa área onde nada de urbano existia, sendo erguida por empreiteiras que receberam pagamento para levantar uma estrutura idealizada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, que planejaram uma cidade futurística, com enormes avenidas, prédios suntuosos para abrigar o poder político do Brasil.

Os custos deste empreendimento, do então presidente Juscelino Kubitscheck, consumiram somas enormes, sendo possível vislumbrar que os preços cobrados foram exorbitantes, sem esquecer que os idealizadores de Brasília também construíram outros monumentos em Belo Horizonte, quando JK era governador daquele Estado, bem como as mesmas empresas que trabalharam em Minas Gerais levantaram a nova Capital federal.

Para que os políticos, que viviam sob o sol do Rio de Janeiro, passassem a trabalhar em Brasília, uma série de vantagens foi criada em 1960 para que não ficassem distantes de seus espaços de influência, como viagens gratuitas, expedientes reduzidos a três dias na semana, uma estrutura de gabinetes em seus Estados de origem, casas funcionais e carros para deslocamentos na Capital Federal, entre tantos outros que se mantém até hoje.

O tempo passou, Brasília evoluiu, tornou-se uma metrópole, mas dentro do sistema político tudo se mantém como nos tempos da fundação da cidade, mas agora tudo que de podre acontece há décadas foi desnudado pela Operação Lava Jato, com denúncias envolvendo centenas de políticos, entre eles vários ex-presidentes e o atual ocupante do cargo.

Os segredos da corrupção de Brasília estão sendo revelados, sendo que os valores desviados em 1960 são migalhas perto do que roubam do dinheiro público na atualidade, porém agora o isolamento físico do país não existe mais, sendo possível aos brasileiros lutar para que acabe a sangria das verbas públicas e que todos os culpados, independente do cargo que ocupam, sejam condenados e presos.

Fim das cartas

28 de maio de 2017 – franquilin.pc@gmail.com
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Antigamente, coisa de três décadas atrás, a correspondência entre as pessoas era feita através de cartas, folhas pautadas manuscritas com letras caprichadas, que depois de eram dobradas e colocadas em envelopes para chegarem aos destinatários.

Outros tempos, quando a espera podia demorar vários dias, até semanas, para receber as respostas de perguntas sobre saúde, negócios e cotidiano de familiares e amigos. Os telefones eram artigos de luxo, acessíveis a poucos, assim a carta era o meio de comunicação mais usado pela maioria das pessoas, sendo comuns filas nas agências para compra de selos e despachos dos envelopes.

Quando a notícia fosse urgente recorria-se ao telegrama, onde as notícias importantes eram transmitidas em textos curtos, que traziam fatos graves, alegres ou tristes, de nosso círculo de amizades. Nascimentos, mortes, aniversários, festas, cirurgias tinham no telegrama a transmissão para os que deveriam saber urgentemente, o que levava semanas numa carta, chegava em horas no telegrama.

Assim a existência de uma estatal para cuidar do imenso volume de correspondência pessoal era necessária e essencial para os brasileiros, portanto a Empresa de Correios e Telégrafos – ECT, ou simplesmente, os Correios, tinham agências e representatividade em todos os recantos do território nacional.

Além da correspondência pessoal, toda a documentação comercial e estatal chegava à população pelas mãos dos carteiros, que percorriam as ruas das cidades, distribuindo carnês, contas e comunicados, tudo em papel, nas caixas postais das residências.

O tempo passou e a internet chegou trazendo a instantaneidade das informações, primeiro com chats de conversação e e-mails, em seguida apareceu o Orkut, depois o Facebook e atualmente temos o Instagram e Whatsapp, com a possibilidade real de tudo ser obsoleto em pouco tempo.

Novas ferramentas para transmitir ideias, recados, documentos, sem a necessidade do físico, tudo no ambiente virtual, assim toda estrutura dos Correios passa a ser questionada, inclusive sendo cogitada sua extinção, da mesma forma como chegaram ao fim as cartas e telegramas, talvez a ECT também venha a ser só uma lembrança para os brasileiros.

Crise no comércio gaúcho

11 de maio de 2017 – franquilin.pc@gmail.com
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Ao caminhar pelas ruas das cidades é possível perceber a enorme quantidade de placas de “aluga-se” e “vende-se” afixadas em diversos imóveis residenciais e comerciais, sendo reflexo da grave crise econômica que temos no Brasil. Temos um grande número de estabelecimentos comerciais que estão fechando suas portas pela impossibilidade de fazer frente às despesas com funcionários, estrutura e subsídios para manutenção das atividades.

Chegamos ao número absurdo de 13 milhões de desempregados no país, sendo quase um milhão de pessoas nesta situação de desemprego no Estado e que deixaram de contribuir para a economia, através de consumo de produtos e serviços no comércio gaúcho.

Parcelamentos de salários, demissões, congelamento salarial e a alta inflacionária são combustível para a derrocada do comércio, enquanto o fechamento do polo naval de Rio Grande, a eterna novela da destinação da área da Ford, em Guaíba, a redução da produção de veículos pela GM, em Gravataí, aliados as obras de infraestrutura paralisadas no Estado, são itens de um cenário de nossa crise econômica.

A inadimplência aumentou muito, com crescimento do número de devedores, retração do consumo, uma redução drástica das vendas em todos os setores, resultando na atividade comercial em queda.

Infelizmente esse cenário não é uma exclusividade do Rio Grande do Sul, está em todas as partes de nosso país que, devido às políticas equivocadas de distribuição de tributos e aplicação incorreta de recursos públicos.

A tendência é de que, se nada mudar no plano econômico, as placas das imobiliárias venham a expandir sua presença em mais pontos das cidades, com consequente aumento das áreas de miséria e da criminalidade, pois sem empregos formais, o crime é uma opção que se apresenta para os milhares de desempregados para garantirem sua sobrevivência, praticando atividades ilícitas.

Um programa ditatorial no rádio

10 de maio de 2017 – franquilin.pc@gmail.com
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Diariamente, às 19 horas, em todo o Brasil, as rádios param suas programações por uma hora para a transmissão da Voz do Brasil, transmitindo para todos os brasileiros as ações do governo federal, nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, indo ao ar de segunda a sexta, exceto em feriados nacionais.

Criada em 22 de julho de 1935, como a Hora do Brasil, no primeiro governo de Getúlio Vargas, tinha por objetivo transmitir os discursos do presidente Vargas, levando as ideias e realizações de seu governo, mudando seu nome para Voz do Brasil no ano de 1962, mantendo-se no ar até nossos dias.

A obrigatoriedade de sua transmissão tem inúmeras contestações, visto que não é um programa popular, com enorme rejeição dos brasileiros, surgindo algumas tentativas de proprietários de rádios para que não fossem obrigados a transmitir o programa, conseguindo algumas liminares, porém a obrigatoriedade foi mantida.

Com todo o sopro de liberdade que foi trazido pela Constituição Federal de 1988, é difícil entender por que continuamos a ouvir um programa de rádio que não chama a atenção da população, num horário nobre dentro da programação das rádios.

Sermos obrigados a ouvir uma enxurrada de números, políticos defendendo projetos do governo, decisões judiciais e muitas informações sobre projetos e mudanças na legislação federal, durante uma hora, sem opção de escolha, a não ser ouvir ou desligar o rádio.

Quando de sua criação, durante a ditadura de Vargas, nos moldes do que faziam os ditadores Mussolini, na Itália, e Hitler, na Alemanha, que usavam o rádio para transmitir suas ideias ao povo, assim o Brasil teve sua cópia desta forma de divulgação de programas de governo.

Acredito que está no momento de revisar esta obrigatoriedade, flexibilizar o horário ou, até mesmo, acabar com o programa, que não tem apelo popular, custa muito para os cofres públicos sem retorno efetivo à população brasileira.