Caos no trânsito

Vivemos em cidades que não se desenvolveram para a mobilidade urbana, temos ruas e avenidas inadequadas para o volume de veículos que circulam pelas vias, pois não houve planejamento pelos administradores municipais ao longo de décadas.

As obras viárias que vemos são antigas, muitas inadequadas à realidade, basicamente viadutos, pontes e passarelas que não resolvem os problemas, aliás, muitas vezes prejudicam o trânsito de pedestres e veículos, sem nenhuma novidade para a mobilidade urbana.

As vias são estreitas, além da falta de estrutura para estacionamento, acarretando veículos parados dificultando, ainda mais, a circulação. Há constantes inversões das mãos das vias, sem nenhum critério técnico, parecendo que mudar o sentido das vias é a única forma de resolver os problemas do trânsito.

Não se pode esquecer a inadequação dos pavimentos das ruas e avenidas, asfalto de má qualidade, quando existe, pedras irregulares sem manutenção e ainda vias sem nenhum pavimento, com terra que se transforma em lama, nos dias de chuvas.

Pelo volume de recursos recolhidos pelos governos, os quais deveriam ser usados para melhorar a vida dos cidadãos, deveríamos ter ótimas vias para circulação, mudanças estruturais para fazer frente à demanda, mas o que temos são péssimas condições no trânsito urbano.

Nossos modais de transporte urbano resumem-se aos ônibus, lotações e táxis, insuficientes e sucateados, aplicativos que ainda não estão regulamentados, com um metrô de superfície antiquado, com adiamentos da implementação de metrô subterrâneo, por interesses de empresários.

Assim vamos vivendo em nossas cidades, esperando melhorias que nunca chegam, sempre prometidas pelos postulantes aos cargos públicos, mas que não saem do discurso, apenas iludem a população, que continua sofrendo para se locomover nas cidades.

180 anos da Brigada Militar

 

A Brigada Militar gaúcha chega aos seus 180 anos no dia 18 de novembro de 2017, com uma história ligada ao nosso Estado e ao Brasil, estando envolvida em diversos fatos importantes, destacando-se pela sua perfeita integração com a comunidade rio-grandense.

No longínquo ano de 1837, em plena Revolução Farroupilha, foi criada para proteger a população de Porto Alegre, e com o passar dos anos, foi expandindo-se para outros municípios, passando a fazer parte de cada comunidade onde se instalava.

Ao longo de mais de um século esteve envolvida em guerras e revoluções, destacando-se a Federalista, de 1893, a Assisista, de 1923, a Revolução de 1930, passando pela Constitucionalista em 1932, a Intentona Comunista de 1934, chegando à Legalidade no ano de 1961.

Depois teve um período de avanços na direção do envolvimento com a comunidade, sendo criados, na década de 1950, os “Abas Largas”, primeira forma de polícia montada e os “Pedro e Paulo”, atuação em duplas que patrulhava as ruas. Na década de 1960, surgiram as “Rádio Patrulhas”, pioneiras do patrulhamento motorizado, passando por ações de repressão às manifestações populares durante a Ditadura Militar.

Após a Abertura no final dos anos 1970, foi tornando-se mais integrada à comunidade, chegando ao ano de 1988, com a Constituição Cidadã, a tornar-se uma instituição protetora dos direitos fundamentais de todos os gaúchos.

Chega aos 180 anos como uma polícia prestadora de serviços à comunidade gaúcha, auxiliando na proteção de todos, preservando a vida e interagindo com todos os segmentos sociais, auxiliando sobremaneira na sensação de segurança, atuando nas mais diversas formas de policiamento, ainda tendo como missão a guarda dos estabelecimentos penais.

Tem ainda a preocupação com a prevenção da criminalidade na atuação em projetos sociais, atuando na orientação contra as drogas e na proteção dos direitos de crianças e adolescentes de todas as classes sociais.

Parabéns a todos os integrantes de Brigada Militar pelos 180 anos de existência da nossa Briosa!

O gato e a revolução

Mergulhar nos livros é muito bom e com a Feira do Livro de Porto Alegre isto é mais prazeroso, pois consigo ver a enorme diversidade de temas e observar as capas, além de aproveitar para pegar um autógrafo com algum amigo escritor.

A reedição do livro O gato e a revolução, do amigo Alcy Cheuiche, 50 anos depois de seu lançamento, em 1967, quando aconteceram atos de censura ao conteúdo do livro e a destruição dos exemplares por agentes da Polícia Federal, demonstra a ameaça que a literatura representa contra os governos impopulares, conforme disse ao autografar para mim.

Alcy teve sua criação destruída, saiu do Brasil, permaneceu em silêncio, por ter escrito um livro que relatava o que acontecia no Brasil, mais precisamente em Porto Alegre, que descontentou o regime que dominava nosso país;

Atualmente vivemos momentos com muita semelhança àqueles dias, com um governo impopular e que alguns setores denominam de golpista, enquanto outros defendem, havendo assim acirramento da disputa entre esquerda e direita.

Tivemos em 1967, um governo que legislava em causa própria, controlando os políticos, que votavam o que era determinado, enquanto que os atuais são comprados para votar projetos de conteúdo duvidoso, sem discussão com a sociedade, mas de interesse do governo.

50 anos atrás tínhamos um presidente sem votação popular, agora temos um votado, mas que não consegue ser popular, antes roubaram a liberdade de políticos, intelectuais e jornalistas, que ousassem dizer não ao que estava ocorrendo no país, agora compram o apoio destes mesmos grupos para que concordem com o governo.

A intolerância daqueles dias ainda vive em muitas mentes, sendo proibidas muitas expressões e pensamentos que discordem daquilo que é determinado como correto pelos governantes, havendo ainda censura e cerceamento da liberdade de expressão.

Pobre Estado Pobre

Nosso Estado está acabado economicamente devido a enormes erros ocorridos há muitas décadas, com sucessivas administrações estaduais, sempre tentando resolver o problema do momento e sem nenhuma visão de futuro, com decisões tomadas conforme os interesses dos grupos que estão no poder.

Não temos indústrias instaladas para transformar nossas matérias primas em produtos para serem consumidos aqui mesmo e gerando receitas para o Estado, porém vivemos economicamente como estávamos a dois séculos, vendendo produtos agrícolas e da pecuária.

Somos fornecedores de matéria prima para as indústrias internacionais, sem termos o retorno financeiro para os produtores, pois como são commodities, a maioria dos impostos é direcionada para o governo federal, sobrando migalhas para as administrações das cidades gaúchas.

Nossos governos não se preocuparam em trazer indústrias compatíveis com nossa produção agropecuária, nem aproveitando nosso potencial carbonífero e outros setores produtivos de nossas cidades para fazer crescer a economia rio-grandense.

As vendas de nosso patrimônio público por diferentes administrações não resolveram os enormes rombos nas contas públicas, foram apenas manobras fiscais para cobrir a falta de competência em gerir a coisa pública.

As renegociações de dívidas com a União geraram mais dívida para o Estado, com juros abusivos aplicados sobre o valor devido, numa bola de neve que nunca acaba e cresce a cada ano.

Agora o atual governo estadual está realizando diversas manobras, acabando com fundações e empresas públicas, com alterações legislativas para retirar mais dinheiro de depósitos judiciais e em contratos com a União, além da tentativa de extinção de outros órgãos públicos.

Tudo que está sendo realizado vai resolver o problema neste ano e nos próximos, mas logo ali, novamente vai estourar a dívida, com diminuição da economia e fechamento das poucas indústrias gaúchas, sem perspectiva de melhorar, pois nossos administradores trabalham de maneira amadora.