Extremos são perigosos

Somos todos diferentes em nossa essência, não temos nenhum outro ser humano plenamente igual a cada um de nós. Somos únicos nas nossas atitudes, pensamentos e convicções, sendo muito difícil uniformizar um discurso sobre qualquer assunto.

O recente episódio de uma exposição de arte num espaço privado, com acesso gratuito ao público, trouxe a tona uma enormidade de interpretações sobre o que estava exposto e o que significam todas as obras e sua temática sobre o universo das diferenças, envolvendo a sexualidade, com duas visões antagônicas.

O grupo contrário à exposição alega apologia à pedofilia e à zoofilia, num discurso extremamente conservador, demonstrando intolerância com algumas obras da exposição, radicalizando de tal forma, que os responsáveis pelo espaço cultural acabaram com a mostra das 264 obras.

No outro lado do front está o grupo que quer que a exposição continue, sem nenhum tipo de controle, aberta para crianças e adolescentes para que estes possam acessar um olhar diferente da diversidade sexual e possam aprender sobre a diferença entre as opções sexuais.

Pode-se notar que além da questão cultural está presente o componente político, com dois extremos ideológicos presentes, que lutam dentro de nosso país pelo poder em todos os níveis, sempre apontando os erros do outro lado.

Olhando de fora pode se vislumbrar que faltou diálogo, tudo feito de forma equivocada, desde o início, com uma exposição destinada para o público infanto-juvenil, mas com algumas obras mostrando cenas inadequadas para este público.

Depois quando alguns grupos chocaram-se com o que viram, gritaram e os organizadores fecharam tudo, sem nenhuma decisão judicial para isto, daí os favoráveis sentiram-se ofendidos.

Acredito que o meio termo, com a retirada de algumas obras, mantendo a exposição aberta, para os que quisessem ver terem acesso, pois não há obrigatoriedade de ver a mostra de arte, sendo que não somos culturalmente acostumados a frequentar museus para apreciar obras de arte.

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