Extremos são perigosos

Somos todos diferentes em nossa essência, não temos nenhum outro ser humano plenamente igual a cada um de nós. Somos únicos nas nossas atitudes, pensamentos e convicções, sendo muito difícil uniformizar um discurso sobre qualquer assunto.

O recente episódio de uma exposição de arte num espaço privado, com acesso gratuito ao público, trouxe a tona uma enormidade de interpretações sobre o que estava exposto e o que significam todas as obras e sua temática sobre o universo das diferenças, envolvendo a sexualidade, com duas visões antagônicas.

O grupo contrário à exposição alega apologia à pedofilia e à zoofilia, num discurso extremamente conservador, demonstrando intolerância com algumas obras da exposição, radicalizando de tal forma, que os responsáveis pelo espaço cultural acabaram com a mostra das 264 obras.

No outro lado do front está o grupo que quer que a exposição continue, sem nenhum tipo de controle, aberta para crianças e adolescentes para que estes possam acessar um olhar diferente da diversidade sexual e possam aprender sobre a diferença entre as opções sexuais.

Pode-se notar que além da questão cultural está presente o componente político, com dois extremos ideológicos presentes, que lutam dentro de nosso país pelo poder em todos os níveis, sempre apontando os erros do outro lado.

Olhando de fora pode se vislumbrar que faltou diálogo, tudo feito de forma equivocada, desde o início, com uma exposição destinada para o público infanto-juvenil, mas com algumas obras mostrando cenas inadequadas para este público.

Depois quando alguns grupos chocaram-se com o que viram, gritaram e os organizadores fecharam tudo, sem nenhuma decisão judicial para isto, daí os favoráveis sentiram-se ofendidos.

Acredito que o meio termo, com a retirada de algumas obras, mantendo a exposição aberta, para os que quisessem ver terem acesso, pois não há obrigatoriedade de ver a mostra de arte, sendo que não somos culturalmente acostumados a frequentar museus para apreciar obras de arte.

50 milhões num apartamento

As fotos mostrando malas cheias de dinheiro, no apartamento de um ex-ministro dos três últimos governos, demonstra o descontrole das finanças públicas, pois o dinheiro pode ter origem nos lucros da Petrobrás, ou outro ente público por onde os políticos conseguem se encostar.

Enquanto os Estados penam por falta de recursos, Brasília tem outra dimensão de gastos, com enormes valores sendo desviados para contas particulares e benesses dos governantes com aliados para manutenção do poder.

Infelizmente nossos bolsos é que arcam com as despesas e desvios da corrupção, principalmente quando pagamos cinco reais pelo litro da gasolina, enquanto os administradores da Petrobrás são denunciados por roubarem bilhões para pagarem as campanhas eleitorais e despesas particulares.

Cada centavo que acrescentam em nossas compras pode ser desviado para uso particular dos poderosos, basta ajustarem de que forma chegará aos beneficiários da propina, pois malas, mochilas, bolsas, sacos plásticos podem transportar dinheiro público desviado para mãos sujas.

Agora que ministros do Supremo Tribunal Federal também aparecem nos esquemas de benefícios da corrupção e somam-se ao presidente Temer e líderes do Congresso, realmente a corrupção conseguiu atingir toda a estrutura que deveria preservar os bens públicos.

Há centenas de denúncias envolvendo integrantes do governo e aliados, muitos beneficiados pelo foro privilegiado, com processos que se arrastam por anos, além de termos um sistema judiciário cujos integrantes da mais alta corte são indicados pelos presidentes, normalmente por terem laços de amizade com os líderes nacionais.

Resta para nós, povo brasileiro, acreditar que a honestidade e condutas corretas sejam características presentes, nos próximos governos, na totalidade daqueles que são pagos com nossos impostos para defender a sociedade e melhorar nossas vidas.