Parcelado ou atrasado?

A vida não tem sido fácil para os funcionários públicos do Executivo do Rio Grande do Sul, os quais têm recebido seus salários de forma parcelada ou atrasada, contrariando o que está escrito na Constituição Estadual, que determina que o governo estadual deva pagar os salários no último dia útil do mês trabalhado.

O parcelamento depende da vontade dos componentes do governo, que anunciam as migalhas que serão pagas no último dia útil, sendo que já chegamos ao 21º mês com esta prática, iniciada em 2015, logo que o atual governo assumiu.

A alegada falta de recursos para fazer frente à folha salarial não é explicada, sendo um discurso repetido enquanto milhares de famílias precisam fazer empréstimos junto ao Banrisul para receberem seus salários de forma integral, ou seja, pagam para receber o que tem direito.

Neste mês mudou, teremos atraso salarial para aqueles que recebem mais de mil e quinhentos reais, com previsão de pagamentos quase chegando ao final de outubro, configurando mais uma ilegalidade praticada contra os servidores estaduais do Executivo.

Nos demais poderes, Legislativo e Judiciário, nada foi alterado, com pagamentos em dia e sem parcelamentos, criando, desta forma, castas dentro do funcionalismo, pois os maiores salários encontram-se nestes poderes, numa situação de descontrole de quem deveria controlar as contas públicas.

Além do parcelamento ou do atraso anunciado o governo acena com um projeto para ressarcir os funcionários pelos atrasos salariais, com valores corrigidos pelos juros da poupança, algo em torno de 6% ao ano, enquanto que aqueles que apenas adiantaram seus salários no Banrisul pagaram 1% ao mês, fora os juros de cheque especial, em torno de 300% ao ano ou dos cartões de crédito, com juros de 600% ao ano.

Só a análise dos juros mostra as perdas que milhares de servidores tiveram nestes quase dois anos de parcelamentos, além de todos os problemas decorrentes de atraso de pagamento de contas e negativação no sistema financeiro, decorrente dos atrasos, com danos morais e psicológicos que nenhum valor pago vai reparar.

Cuidando de quem se prende

A situação caótica da segurança pública, na área do encarceramento de presos, no Rio Grande do Sul parece não ter mais fim, pois todos os dias aparecem novas maneiras de guardar os presos que esperam vagas no sistema prisional.

Já tivemos um início de governo recebendo um Presídio Central com menos 300 vagas, resultado de uma ação irresponsável, com a demolição de um pavilhão do complexo prisional, sem previsão de local para repor tais vagas.

Então surgiram as primeiras superlotações das celas das Delegacias de Pronto Atendimento, onde presos deveriam permanecer alguns dias, passaram a aguardar por prazos maiores, sem estrutura de higiene e alimentação.

Depois vieram as viaturas nas frentes das delegacias, com presos algemados até em cestas de lixo, sendo custodiados por brigaidanos, que inclusive tinham que providenciar água para os que aguardavam para entrar nas celas provisórias.

Retiraram as viaturas da frente das delegacias, colocando em prédios públicos que poderiam abrigar os veículos, como locais de detenção provisória, sendo ressuscitado até o Trovão Azul da Susepe, um ônibus abandonado, para acomodar os presos, novamente sem condições mínimas de higiene e de alimentação, inclusive para os que faziam à custódia.

Uma reforma em prédios públicos abandonados da segurança pública  foi realizada para receber 87 presos, com anúncio oficial de que não haveria mais presos nas delegacias e nem em viaturas.

Passados alguns meses, as viaturas da Brigada Militar voltaram aos pátios das delegacias, com presos amontoados e algemados em qualquer objeto para não fugirem.

Os desvios de função acontecem com o consentimento das autoridades, com policiais civis e militares atuando como carcereiros sem o complexo prisional, abandonando a investigação e o policiamento ostensivo.

Enquanto isso a obra do Presídio de Canoas, que deveria estar pronta em 2015, nunca é concluída, devido aos entraves burocráticos e total descaso dos governantes para liberar as mais de duas mil vagas existentes.

Extremos são perigosos

Somos todos diferentes em nossa essência, não temos nenhum outro ser humano plenamente igual a cada um de nós. Somos únicos nas nossas atitudes, pensamentos e convicções, sendo muito difícil uniformizar um discurso sobre qualquer assunto.

O recente episódio de uma exposição de arte num espaço privado, com acesso gratuito ao público, trouxe a tona uma enormidade de interpretações sobre o que estava exposto e o que significam todas as obras e sua temática sobre o universo das diferenças, envolvendo a sexualidade, com duas visões antagônicas.

O grupo contrário à exposição alega apologia à pedofilia e à zoofilia, num discurso extremamente conservador, demonstrando intolerância com algumas obras da exposição, radicalizando de tal forma, que os responsáveis pelo espaço cultural acabaram com a mostra das 264 obras.

No outro lado do front está o grupo que quer que a exposição continue, sem nenhum tipo de controle, aberta para crianças e adolescentes para que estes possam acessar um olhar diferente da diversidade sexual e possam aprender sobre a diferença entre as opções sexuais.

Pode-se notar que além da questão cultural está presente o componente político, com dois extremos ideológicos presentes, que lutam dentro de nosso país pelo poder em todos os níveis, sempre apontando os erros do outro lado.

Olhando de fora pode se vislumbrar que faltou diálogo, tudo feito de forma equivocada, desde o início, com uma exposição destinada para o público infanto-juvenil, mas com algumas obras mostrando cenas inadequadas para este público.

Depois quando alguns grupos chocaram-se com o que viram, gritaram e os organizadores fecharam tudo, sem nenhuma decisão judicial para isto, daí os favoráveis sentiram-se ofendidos.

Acredito que o meio termo, com a retirada de algumas obras, mantendo a exposição aberta, para os que quisessem ver terem acesso, pois não há obrigatoriedade de ver a mostra de arte, sendo que não somos culturalmente acostumados a frequentar museus para apreciar obras de arte.

50 milhões num apartamento

As fotos mostrando malas cheias de dinheiro, no apartamento de um ex-ministro dos três últimos governos, demonstra o descontrole das finanças públicas, pois o dinheiro pode ter origem nos lucros da Petrobrás, ou outro ente público por onde os políticos conseguem se encostar.

Enquanto os Estados penam por falta de recursos, Brasília tem outra dimensão de gastos, com enormes valores sendo desviados para contas particulares e benesses dos governantes com aliados para manutenção do poder.

Infelizmente nossos bolsos é que arcam com as despesas e desvios da corrupção, principalmente quando pagamos cinco reais pelo litro da gasolina, enquanto os administradores da Petrobrás são denunciados por roubarem bilhões para pagarem as campanhas eleitorais e despesas particulares.

Cada centavo que acrescentam em nossas compras pode ser desviado para uso particular dos poderosos, basta ajustarem de que forma chegará aos beneficiários da propina, pois malas, mochilas, bolsas, sacos plásticos podem transportar dinheiro público desviado para mãos sujas.

Agora que ministros do Supremo Tribunal Federal também aparecem nos esquemas de benefícios da corrupção e somam-se ao presidente Temer e líderes do Congresso, realmente a corrupção conseguiu atingir toda a estrutura que deveria preservar os bens públicos.

Há centenas de denúncias envolvendo integrantes do governo e aliados, muitos beneficiados pelo foro privilegiado, com processos que se arrastam por anos, além de termos um sistema judiciário cujos integrantes da mais alta corte são indicados pelos presidentes, normalmente por terem laços de amizade com os líderes nacionais.

Resta para nós, povo brasileiro, acreditar que a honestidade e condutas corretas sejam características presentes, nos próximos governos, na totalidade daqueles que são pagos com nossos impostos para defender a sociedade e melhorar nossas vidas.