Clima enlouqueceu!

Nos últimos dias estamos passando por variações de temperatura enormes, com dias de calor intenso e, em seguida, vem frio e chuva, numa troca de vestuário que parece enlouquecer as plantas, algumas desabrochando e outras dando frutos fora de época.

Não é só em nosso rincão que o clima está descontrolado, inúmeros acidentes climáticos estão acontecendo pelo mundo, com inundações, tempestades, incêndios, altas temperaturas e acúmulo de neve em outros pontos do planeta.

Somos as vítimas de nosso descaso com a natureza, destruindo florestas, poluindo o ar e lançando veneno nos rios, num ciclo de devastação e enormes prejuízos ao ecossistema, com destruição de muitas reservas naturais, descongelamento das calotas polares e cidades poluídas.

Surgem acordos internacionais para reduzir o calor no planeta, porém os maiores poluidores são signatários dos tratados, sem, no entanto, tomarem providências para diminuir a destruição da nossa natureza, ou seja, discursos para proteger a natureza e ações que a devastam.

Vivemos semanas em que as temperaturas variam dezenas de graus no mesmo dia, ou temos chuvas e raios num dia e no seguinte um calor que nos sufoca, parecendo que temos um clima enlouquecido.

Há muitos anos não temos mais as estações plenamente definidas, podemos ter calor em pleno inverno, enquanto poderemos ter dias com temperaturas baixas durante o verão, numa rotina de pequenos picos de frio intenso e cada vez com mais períodos de calor sufocante.

Para mudarmos toda esta realidade climática precisamos iniciar por pequenos gestos diários, evitando realizar ações que destruam o meio ambiente, como os cortes de árvores e assoreamento dos rios, por exemplo, além de ações dos governos para coibir danos ao meio ambiente.

Se não mudarmos nossas atitudes relativas ao clima e se governos não se preocuparem com esta temática, teremos, futuramente, dias cada vez mais malucos no seu clima.

Naqueles tempos do Julinho

Minha história tem três anos, da década de 1980, dentro do Colégio Júlio de Castilhos, o Julinho, sendo que passei por seleção para ingressar, pois haviam professores estaduais qualificados, estrutura de apoio para o ensino, laboratórios e cursos profissionalizantes, sendo um colégio público e referência dentro da educação gaúcha.

As drogas existiam e circulavam no entorno do Julinho, com alguns colegas fumando baseados na praça ou nos fundos da escola, porém dentro não rolava, tínhamos monitores fiscalizando e havia respeito por estes, que nos tiravam das sacadas, quando tentávamos matar aulas.

Com o avançar dos anos, novas legislações, mudanças culturais, sucateamento do ensino público, o meu antigo colégio passou por alterações, foi totalmente gradeado, acabou perdendo o status de referência e tornou-se uma escola com muitos problemas de disciplina e falta de apoio do poder público.

Infelizmente a realidade do Julinho não é diferente de milhares de escolas públicas ou privadas de nosso Estado, com circulação de drogas tanto nas redondezas e, muitas vezes, no interior dos estabelecimentos.

Os professores e os demais profissionais das escolas estão sem autoridade, com inúmeros registros de agressões psicológicas ou mesmo físicas contra os educadores, pois há desrespeito por normas, aliado à desestruturação familiar, faltando a base educacional.

Fico triste com toda a mudança da realidade, por não termos mais um ensino de qualidade, somente professores desmotivados e desvalorizados, alunos mal educados e sem limites, famílias sem tempo para educar seus filhos.

Assim o sistema educacional não consegue ensinar, pois precisa tentar educar os alunos, os quais chegam às escolas sem noções mínimas de convivência e respeito ao outro.

Tomara que um dia os governantes entendam que o sistema educacional é o melhor caminho para termos um futuro melhor para nossas crianças e adolescentes e talvez voltemos a viver como naqueles tempos do Julinho.

Elvis não morreu!

No dia 16 de agosto de 1977 morreu, fisicamente, Elvis Presley, o Rei do Rock, que começou a cantar, ainda criança, nos cultos da igreja, depois em 1954 gravou seu primeiro sucesso, That’s All Right Mamma, onde misturou as culturas branca e negra americanas, cantando de uma forma única que conquistou rapidamente os jovens americanos.

Sua ascensão foi rápida, participando de programas de televisão, alcançando milhares de fãs em pouco tempo, depois passou a realizar shows percorrendo os Estados Unidos, levando seu jeito único de cantar e dançar, fazendo crescer o rock and roll.

Afastou-se para servir o Exército, retornando para os palcos em 1960, porém sem o mesmo ímpeto inicial, mudando seu modo de se apresentar, parecia menos rebelde.

Desde 1955 foi protagonista de dezenas de filmes, dos quais as trilhas sonoras eram recheadas de sucessos, vendendo sua imagem e sua voz para todo mundo, porém com diminuição de apresentações ao vivo.

O retorno aos palcos, em 1968, com o show Elvis Come Back, o primeiro show acústico transmitido ao vivo pela televisão americana, com enorme sucesso, depois disso não mais parou de fazer apresentações ao vivo.

Seu maior show Aloha From Hawai, aconteceu em 1973, o primeiro transmitido via satélite para todo o planeta, atingindo bilhões de pessoas, tornando Elvis um dos maiores ícones da cultura mundial.

Sua morte prematura, aos 42 anos, interrompeu uma carreira de sucesso, pautada por recordes de vendas, prêmios e números de músicas ocupando os primeiros lugares nas paradas de sucesso.

Perdi meu ídolo quanto tinha 12 anos, numa data triste para mim, chorei muito durante alguns dias, ouvindo suas músicas e revendo seus filmes que passavam para relembrar sua trajetória.

Para mim não existe artista tão completo como Elvis Presley, dominou palco, cinema e mídia de maneira plena, assim continua vivo em cada canção ouvida, repetida ou cantada pelos seus fãs, inclusive eu, como humilde súdito do Rei do Rock.

Dia dos Pais

Meu pai era uma pessoa alegre, pois todas as lembranças que tenho dele são com um belo sorriso no rosto, mesmo quando estava internado no hospital em seus últimos dias de vida.

A rotina de quase dois meses num leito hospitalar não o deixaram triste, brincava com os funcionários quando traziam medicamentos, davam banho nele ou trocavam suas fraldas, principalmente com as enfermeiras quando tocavam nas suas partes mais íntimas.

Quando eu fazia a troca das fraldas ele ria ao comentar que já tinha feito isso muitas vezes em mim e era minha vez de fazer o serviço, numa onda de brincadeira que me fazia rir, mesmo vendo meu pai debilitado, sabendo que seu tempo junto a mim estava chegando ao final.

Ele não sofreu, morrendo tranquilo na madrugada de 14 de março de 2002, deixando um grande vazio na minha vida, mas também um grande legado de alegria, felicidade, honestidade, sinceridade e humildade. A foto que está em seu túmulo no cemitério, em Alegrete, traz seu rosto iluminado por um enorme sorriso, assim sempre que vou visitá-lo enxergo aquela imagem e lembro as tantas risadas que trocamos juntos.

Tenho saudades do meu pai, ainda bem que teve tempo de conhecer um dos netos, dividiu sorrisos com duas gerações de descendentes e desfrutou de bons momentos comigo e com seu neto. Pena que não podemos evitar as perdas de nossos pais, quem dera ficassem para sempre por perto, pois eles, com suas experiências nos auxiliariam a viver melhor.

Agora que sou pai quero aproveitar a convivência com meus filhos, tentar ser exemplo e mostrar as opções que entendo as mais corretas na vida deles, cabendo a eles decidir qual caminho seguirão.

Agradeço por meu pai ter existido na minha vida, o qual muito me ensinou com seu jeito simples e franco de dizer as coisas, como procuro fazer com meus filhos nas conversas que temos.

No domingo vou fazer um churrasco, da maneira que aprendi com ele, mantendo seu hábito de reunir a família ao redor da mesa, servir o churrasco e conversar sobre a vida.

Assim vou estar com meus filhos para comemorar mais um Dia dos Pais, infelizmente sem a companhia alegre do meu pai Avelino.

Quando acaba uma vida?

Somos passageiros neste pequeno planeta que fica orbitando ao redor do Sol, numa viagem que não tem uma duração definida, vamos num trem desgovernado rumo ao final do caminho, que nunca saberemos onde fica, pois cada um tem seu ponto de chegada e partida.

Podemos vir ao mundo abrir os olhos e, logo em seguida, deixar a viagem, sobrando apenas a recordação com a saudade dos familiares que perdem um pequeno ser, o qual parte, normalmente, num caixãozinho branco.

Ou viemos e passamos algumas estações, chegando à idade da infância ou adolescência, sendo um momento de partida muito sentido, pois a lógica é os filhos enterrarem os pais, acontecendo o contrário parece que a ordem da vida foi invertida e o sofrimento de quem fica é enorme.

Quem sabe atinjamos a idade adulta, talvez constituindo família, mas deixando algumas marcas nas vidas daqueles que vamos amar, convivendo os bons e maus momentos.

No entanto todos sonhamos em viver e conseguir atingir a velhice, ter filhos, netos, talvez bisnetos, passar por tantas estações, viver inúmeras emoções e amar tantas pessoas, as quais ficarão marcadas por nossa existência, deixar um legado familiar e de história para ser lembrado pelas futuras gerações.

Não existe um padrão de passagem pelo nosso pequeno planeta, todos sabemos que um dia nascemos, vivemos o agora, mas o próximo segundo pode não acontecer, não temos controle sobre nossa viagem, o condutor não nos passa informações, somos convidados a seguir em frente.

Portanto vamos viver intensamente cada momento alegre, cada segundo ao lado de quem amamos, sorrir pelas coisas mais simples, aceitar nossas deficiências e valorizar as pessoas que nos amam.

Acredito que o Pastor Ari Pfluck fez isso, viveu intensamente seus 85 anos, saído do interior de Lajeado, chegando a Alvorada, constituindo uma família com dona Gerda, criando cinco filhos, que lhe deram 11 netos e já com uma bisneta, construindo um legado educacional com a Faculdade São Marcos e outro religioso pela sua atuação junto à comunidade luterana.

Pena sua viagem ter chegado ao fim, mas é o destino de todos nós!