Escrever não é fácil

 

Quando indagam: “Pra quem escreves?”, digo: Pros livros imaginários que publico e pros leitores imaginários que tenho. (LuCarrero)

Costumo e gosto ler os escritos de uma conterrânea, pois são textos diferenciados daquilo que lemos no cotidiano. Consegue ela com seu talento prender nossa atenção e requisita sacrifícios até, vez que seu vocabulário é farto e sofisticado, sem contudo dar às costas ao que rola na vida dos comuns mortais. Dessa forma, pós leitura, trato de comunicá-la da minha leitura e envio algumas loas, justas e merecidas. De igual, mas não proporcional, ela quando lê algumas mal traçadas linhas que mando para o mundo, manda uma sinalização com seu OK ao lido, o que interpreto como seu grande incentivo para que eu siga e busque me aperfeiçoar. Para meu comodismo, poderia viver sem isso, pois daí, até poderia encerrar meu ensaio de escritor, que penso ser um sonho de muitos.

Trata-se , pois de uma pessoa culta, viajada, de belíssima formação familiar, sob a égide da cultura germânica,  que tanto contributo nos deu, notadamente pelo sentido prático e objetivo dos seus atos, os quais alcançam a  escrita: direta, bem pensada, bem articulada, mas despida de floreios, tudo contribuindo para aguçar reflexões.

Pois aquilato que essa pessoa sabe muito bem o que significa escrever e tornar públicas visões e percepções de cotidiano, nos diversos campos da atuação humana. Pela sua  exímia escrita, fruto de lucidez e propriedade,  também pode contar com  algum sofrimento inerente a sua condição humana, mas sei ser diferente do que acontece comigo, pois  para quem tem arte e o ofício, tudo flui com mais facilidade, sem conhecer muito a  aflição  que se flete sobre os esforçados.

Escrever é exposição sem estima de preço, pois pode nos levar até as barras dos Tribunais e sermos alvos de indenizações, mesmo nas postagens no Facebook, afora tantos outros aspectos que levam às consequências imprevisíveis, pois a distância entre o que penso e digo, nem sempre tem o mesmo atendimento na recepção. Mesmo assim seguimos nessa empreitada, onde alguns atuam com maestria e sonoridade, outros  atuando nos estritos limites do politicamente correto e um terceiro segmento,  daqueles  que apenas gostam de escrever, mas que sofrem muito na ação. A coragem destes, ou quem sabe,  a cara de pau, lhes  impele ao ato. Afinal, quem pode dar limites ao livre pensar e externar nos tempos atuais?

Mesmo com tanta liberdade, o que não se pode permitir é o que mal prospere  nas contraditas, nas críticas ou nas réplicas, tomando feição de acinte e desrespeito, o que  volta e meia ocupa postagens no Facebook, ainda mais quando desconhecidos que se achegam de mansinho, propondo amizades virtuais que acatamos, por conta e obra da menção de amigos em comum e quando se vê, desferem flechas, sem motivo algum que  ferem imagens, conceitos e reputações.

Quando me deparo com situações dessa ordem,  a sensatez,  que pode ser apenas uma fagulha que me acomete, indica recolhimento, mas  isso me parece se aproximar do pecado da omissão e renúncia imperdoável, pois vivendo num país que conta com milhões de analfabetos funcionais, deixar de dar uma contribuição, na busca do esclarecimento dos fatos e incitar pessoas para que leiam mais, para melhor refletirem, seria fugir da raia e até rompimento com sentido cívico da nossa ação.

Então afirmo que este processo é complexo por muitos motivos e, invariavelmente busca o bem, o que então nos permite sempre refutar retornos desrespeitosos, que difere da crítica que tanto alimenta e aperfeiçoa o escrevente e também o escritor!

Curta o frio, mas seja sensível

Faz frio no RS, faz frio em muitos lugares. Mera questão climática a assertiva inicial, mas para além da sensação, vizinhamos com gente que passa muito frio, aduzido pela falta de moradia e de alimentação. Diria ser  mera questão de oportunidade na vida, pois nem sempre podemos optar e até o desígnios divinos parecem nos surpreender ou quem sabe, até arrefecer nossa fé diante da desgraça de alguns.

Dias atrás reproduzi uma sentença de um africano que falava português e que chamava a atenção de quem acessou a sua postagem, que deveríamos sempre estar atento para três palavras: “Isto vai passar”. Postei e teve boa acolhida, mas ao dizer que elas ficaram martelando em minha cabeça, nem me passou pela conta de que isso continuaria a me cutucar.

Assim, numa das minhas andanças pela cidade, ao passar por um Centro de acolhimento de carentes, questionei  se a fome e o frio daquelas pessoas iria passar ou apenas seria amenizado?

Um dileto interlocutor ao ouvir-me, redarguiu  que isso ocorre desde os primórdios da humanidade, pois sempre teve excluídos, vencidos, derrotados pelos oponentes e até por si mesmos.  No entanto consentiu que mesmo  sabendo disso, não podemos dar as costas e fingir que não existe, não perturba e não traz indignação. Apenas parece que somos grandes para tantas coisas majestosas, mas para as elementares que nos cercam, ficamos tão pequenos, encolhidos e reduzidos a olhar só para o nosso umbigo e sequer nos transportarmos, mesmo que imaginariamente, para a pele de quem sofre.

É o tal do social que nos acomete, mas que também nos revolta diante de tantas promessas que fazem aqueles que se apresentam,  de tempos em tempos,  a solicitar nossa confiança e nossa procuração, mas logo a seguir somem das nossas vistas feito vigaristas, vendedores de bilhetes premiados.

A nossa parte, bem ou mal fazemos, mas se espera que o Estado brasileiro cumpra com o seu papel,  por ato de quem possua mandato de qualquer natureza, porque o frio pode passar, mas fome cada vez mais aumenta e avilta e, não se pode dividí-la em estações do ano para amenizar a aflição.

Então, que iniciem devolvendo o dinheiro que sumiu e quem ninguém viu levarem, apenas os seus advogados seguirão dizendo que os seus clientes só falarão em juízo e que irão demonstrar que as imputações que se lhes recaem, serão afastadas.

Enquanto isso, sigamos em benemerência tópica, pois o que falta para alguns, por certo,  temos algo que nos sobra, porque o inverno está recém começando e dá impressão que custa muito para passar!

 

Acomodação

         Alguém tem dúvidas de que a justiça termina quando inicia a ação dos Tribunais Superiores do País; de que o STF não faz falta; que tudo deve ser julgado na paróquia com Côrtes formadas por um magistrado, ladeado por dois cidadãos das comunidades consideradas; que se desperdiça muito dinheiro com essa falácia de ampla defesa, cara aos cofres públicos e que, via de regra, serve para salvar bandidos de todas as matizes; que a Justiça Eleitoral devia julgar todas a denúncias no ato e fim de conversa; que jogam dinheiro que falta na saúde, na educação e na segurança para defender ritos que inexistem no Primeiro Mundo; que dentre tanto que se poderia falar, vivemos o desencanto de tudo isso saber e nada poder fazer, porque até a mídia ajuda a dar curso a todo esse descompasso.

        Para quem leu ZH e viu as projeções e prospecções dos Partidos do RS para eleições e sucessão, o quadro é por demais deplorável e tudo não passa de como manter os mesmos ineptos, incapazes que surfam em boas ondas com votos que tiveram o mesmo preço País afora. Será que não seria por demais constrangedor irmos às urnas para eleger um novo Chefe do Poder Executivo, ao invés de um Governador que realmente governe a todos sem a tibieza e se assiste, punindo seus súditos com desmanches da estrutura do Estado, humilhando com atrasos salariais e saudando e temendo o andar de cima – o Legislativo e o Judiciário, assim como devedores contumazes e o fisco não lhes vê de maneira alguma. Se nada disso sensibiliza, dói, corrói, que se conduza os mesmos a esse fausto emprego, onde veremos Senadores gaúchos pouco devolvendo, mas em via de aposentar-se como ta. Oito (8) 8 anos é demais, 16 anos é acinte…

       Olha pro teu lado, para teu bairro, para tua empresa, para teu emprego, para tua cidade, para tua confraria, ONG, Clube de Serviço, Social, Esportivo, Recreativo e vê se nada temos de melhor do isso que se estampa, ou a página 10 da Zero Hora seguirá fazendo a convenção dos partidos, que te negas a participar! Olha meus amigos, nosso Estado tem gente muito qualificada e proba para seguirmos abonando algumas figuras públicas, cuja imagem fala por si, basta apenas prestar a atenção e se nada concluir-se, se informe sobre sua produtividade até aqui e com quem se ligam na política. Até o Operação Rodin – roubo do DETRAN, se imaginava que o RS contava com políticos imaculados. Claro, não deu em nada, ou ao menos o que se esperava, apenas se viu que a Justiça, para alguns tarda, tarda, tarda muita e até oportuniza o esquecimento, mas para o andar de baixo mesmo que tarde, dificilmente falha!

       É por demais sabido que a nossa acomodação do presente,  gera muitos dessabores no futuro e, como a vida é sempre para a frente, em atos contínuos, muitos deles irreparáveis, importa que decidamos quanto ao nosso papel: atuar, saindo da nossa zona de conforto ou entrando em campo, vestindo a camiseta e fazendo boas apostas, pois em muitos campos da atividade humana podemos contribuir, efetivamente, para que mudanças se operem, mesmo que possamos até julgar pequeno o nosso contributo, mas por certo, será muito maior que a omissão da maioria.

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Reminiscências ou tudo como dantes?

21  junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Revendo recortes, fui dar com um texto do Correio do Povo de 1987, o qual guardei pela sua  consistência e também aliado à dignidade do  autor,  um homem público marcante, que penso ter se aposentado como Procurador de Justiça. Falo pois, do Dr. Lauro Guimarães, um letrado, fidalgo, que balizou condutas neste pago e por certo neste mundão de Deus. O título, “A honra dos Patifes, que agora relido, se apresenta atual e ouso tomar a liberdade de transcrever alguns excertos que, por certo, comprovam minha assertiva.

Inicia assim: -“Se este fosse o “melhor dos mundos”, como queria o Dr. Pangloss, não precisaríamos de leis penais, prisões, polícia, agentes penitenciários, nem – suprema ventura! – do Secretário da Segurança… O problema é que, desde a infância da humanidade, de Caim ao Zé do Doro, uma parcela de indivíduos frauda, rouba, estupra, mata seus semelhantes, gerando, como autodefesa, a reação do grupo social e a ação do Estado, para repor a paz violada pelo delito, isolar o infrator, julgá-lo e, se culpado, aplicar-lhe a pena antevista na Lei.

Na sequência do belo e elucidativo texto, que bem descreve a nuances do delito e a luta do homem para estancar ímpetos, trata de enunciar caracteres que se modificam nas práticas delituosas, também manifesta-se quanto à evolução da ciência nos diversos campos, em descompasso com o estancar do delito. Assim, reportando-se às prisões ou às imerecidas liberdades, em síntese dá conta de que os bandidos tiveram rompidos na mente os freios que balizam o comportamento, assim como se lhes apagou da consciência o marco divisor entre o justo e o amoral. Disse mais e até gostaria de publicar o todo, mas o espaço e a tradição do jornal, mesmo virtual, impõe-me enveredar para o fim, onde reservo mais uma atualidade do texto, em face de prática que em muito vem constrangendo o meio policial e os homens e mulheres de bem da sociedade.

Assim segue mais três resumos, onde no primeiro trata, de alguma forma, a justificar o título, pois se refere que os indignos infratores da lei, de vida tortuosa, parecem adquirir, repentina e surpreendente ampla credibilidade pública, quando, diante de um microfone, câmara de TV ou do caderno de notas do repórter frenético, acusam autoridades públicas e os seus agentes em face da ação coibitiva ou sustadora da sequência criminosa.

Por segundo, enaltece o peso moral das imputações que caem sobre os policiais que dedicam sua vida a combater o crime e etc. E, para  arrematar, diz que:  “Em países mais desenvolvidos que o nosso, criminoso  não dá entrevista – poupa-se a coletividade ordeira do  insulto de suas torpezas. Aqui, ao que parece, lhes é atribuída uma alta distinção social, um novo conceito de honra. A honra dos patifes.

E para que possamos avaliar quanto a atualidade do escrito e também de como, em muitas coisas mudamos pouco, assinalo que 1987 foi o ano que antecedeu a atual Carta Constitucional, estando assim o País em ebulição para mudar o que preciso fosse, ou o que o PMDB quisesse, mesmo que só para constar, pois ainda vivemos como nossos pais. Prova disso é que no verso do Jornal em questão, estava estampado: “Sugestão – Poeta e filósofo Canoense sugere que os constituintes escrevam na Constituição a proibição de reeleição para deputados e vereadores. Será, segundo ele, uma janela de regeneração da política no Brasil inaugurando-se a rotatividade do povo no poder”.

Muito atual, tudo como dantes. Pelos dois turnos para o Parlamento ou NÃO RE-ELEJA.

21 junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Especialistas

21  junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Falam e falam muito, dizem e dizem mais ainda. No plano do fazer, nada fazem, nem mesmo indicar o melhor caminho para os outros seguirem. De teoria, nada mais se precisa, porque quase tudo já foi constatado, falado e dito, mas de prático, os especialistas apenas seguem constatando que o crime vai de elevador, enquanto a polícia sobe pela escada. Nesse elevador, parece que sobem com diletas e proeminentes companhias a lhes garantir mais desenvoltura e muita impunidade. Pela escada, rolando suor no rosto, conjugando-se com a indignação, vai a polícia se fazendo acompanhar pela ingratidão de muitos que clamam por segurança e também daqueles que deviam, por força dos seus cargos, prestigiá-la.

Afinal, quem são os especialistas em Segurança Pública e quanto ajudam neste contexto turbulento? Que formação se exige para que se erijam a tal condição? Será que distantes da realidade do crime e do ato de prevení-lo e coibí-lo, podem instrumentar falas fluídas que tanto se vê prosperar nas mídias? Seriam, pois, tantas perguntas e quiçá pudéssemos contar com respostas que possam satisfazer completamente nossa inquietação, a qual se divide com os mais atentos.

Sabe-se que a complexidade das relações sociais dá ensejo aos altos estudos das academias, ficando, pois, defeso negarmos a ciência e os seus  importantes passos para a consolidação de verdades, cujo part prix, regra geral, decorre da pesquisa. Esta então se presta a prospectar o fato social em questão, quando nos remetemos aos estudos dos movimentos humanos. Em alinhamento, também se sabe que a pesquisa tem a sua especificidade em contraposição à generalização, o que por si nos permite dizer que no campo da segurança pública deve imperar a transversalidade e a universalidade do conhecimento, pois são múltiplos os intervenientes que se comunicam.

Disto pode se concluir que cognominados especialistas, sem formação e atuação policial,  não gozam de tamanha autoridade para expressar seus ditames, que por vezes, não passam de meras impressões ou inferências, vez que suas formações acadêmicas são específicas e,  naquilo que envolver a segurança pública,  se restringe à algumas poucas nuances de um todo complexo que a cenvolve, desde a lei posta, a atuação do infrator, suas motivações, vida pregressa, condições sanitárias, vivenciais, habitacionais, humores, modus operandi, herança genética e até pré-disposição ao crime, da qual não abro mão de enunciar.

Parece-me, pois, haver muita ousadia alguém se arvorar na condição de especialista em Segurança Pública, tendo conhecimento apenas pelo outro lado do balcão, pois é campo por demais complexo, a requisitar vivência, literatura, cultura e acima de tudo, humildade para saber que por mais que se ande nesse terreno, sempre se conviverá com mais aprendizagens.

21 junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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A honra dos Patifes – Reminiscências ou atualidade?

21  junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Revendo recortes, fui dar com um texto do Correio do Povo de 1987, o qual guardei pela sua consistência e também aliado à dignidade do  autor,  um homem público marcante, que penso ter se aposentado como Procurador de Justiça. Falo pois, do Dr. Lauro Guimarães, um letrado, fidalgo, que balizou condutas neste pago e por certo neste mundão de Deus. O título, “A honra dos Patifes, que agora relido, se apresenta atual e ouso tomar a liberdade de transcrever alguns excertos que, por certo, comprovam minha assertiva.

Inicia assim: -“Se este fosse o “melhor dos mundos”, como queria o Dr. Pangloss, não precisaríamos de leis penais, prisões, polícia, agentes penitenciários, nem – suprema ventura! – do Secretário da Segurança… O problema é que, desde a infância da humanidade, de Caim ao Zé do Doro, uma parcela de indivíduos frauda, rouba, estupra, mata seus semelhantes, gerando, como autodefesa, a reação do grupo social e a ação do Estado, para repor a paz violada pelo delito, isolar o infrator, julgá-lo e, se culpado, aplicar-lhe a pena antevista na Lei.

Na sequência do belo e elucidativo texto, que bem descreve as nuances do delito e a luta do homem para estancar ímpetos, trata de enunciar caracteres que se modificam nas práticas delituosas, também manifesta-se quanto à evolução da ciência nos diversos campos, em descompasso com o estancar do delito. Assim, reportando-se às prisões ou às imerecidas liberdades, em síntese dá conta de que os bandidos tiveram rompidos na mente os freios que balizam o comportamento, assim como se lhes apagou da consciência o marco divisor entre o justo e o amoral. Disse mais e até gostaria de publicar o todo, mas o espaço e a tradição do jornal,  impõe-me enveredar para o fim, onde reservo mais uma atualidade do texto, em face de prática,  que em muito vem constrangendo o meio policial e a própria sociedade.

Assim segue mais três resumos, onde no primeiro trata, de alguma forma, a justificar o título, pois se refere que os indignos infratores da lei, de vida tortuosa, parecem adquirir, repentina e surpreendente ampla credibilidade pública, quando, diante de um microfone, câmara de TV ou do caderno de notas do repórter frenético, acusam autoridades públicas e os seus agentes em face da ação coibitiva ou sustadora da sequência criminosa.

Por segundo, enaltece o peso moral das imputações que caem sobre os policiais que dedicam sua vida a combater o crime e etc. E, para arrematar, diz que:  “Em países mais desenvolvidos que o nosso, criminoso  não dá entrevista – poupa-se a coletividade ordeira do  insulto de suas torpezas. Aqui, ao que parece, lhes é atribuída uma alta distinção social, um novo conceito de honra. A honra dos patifes.

21 junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Tem saída, basta coragem e vergonha na cara

14  junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Após julgamento do TSE na sexta-feira, 09 do corrente, podemos dizer que os Poderes desfalecem e afrontam o senso comum. A nossa tal  democracia vem dando passagem para a cleptocracia, pois tem mais ladrões e gente graúda vivendo do fruto dessa ação do que se possa imaginar, até mesmo vestindo farda, toga e trajes caríssimos, segundo seu agir ou pela omissão condescendente. Já disse e repito, que o entrave que impede Reformas urgentes e devidas punições, reside no fato de que tem muitos brasileiros em posições por demais confortáveis, portanto, bem alojados em zona de conforto e garantidos pelo resto da vida. O que até seria motivo para lutar em prol do bem, o que poucos nessas condições fazem.

O cidadão perdeu a esperança de qualquer reversão, pois se contamos com um Presidente da República, flagrado em práticas ilícitas e que conta com fiéis escudeiros a lhe assessorar em prol do mal e a usar  mentiras, despintes e demais contorcionismos,  em afronta à  verdade, com apoio Parlamentar de maioria e segurança no julgamento pelos Tribunais, importa que entendamos que ele não é nosso Presidente e que esta Pátria não é a nossa. Então que nos apartemos, pois temos causa justa para fundarmos um Estado Paralelo transitório, que nada tenha a ver com o que esse que está aí existindo  e que sobrevive sob os auspícios da desonra.

Fundado no princípio da autodeterminação dos povos, penso podermos considerar que milhões de brasileiros que se insurgem contra os Poderes constituídos, os quais em quase nada atendem a vontade popular e as necessidades materiais de muitos e, morais,  de mais gente ainda, nos é dada a possibilidade de refundar o Estado, para vivermos numa Nação decente e distante dos maus, usurpadores do Poder, que nos aviltam, nos maltratam, e nos humilham, em face de atos desonrosos que praticam, como tal o roubo que os enriquece sem causa justa, que lhes permite comprar tanta gente,  os quais  até se disponibilizam a  postergar ou fraudar perícias.

Assim sendo, parece que nos desobrigamos até dos ditames Constitucionais e Penais, pois se a Lei posta não obriga a todos, vivemos em desigualdade, o que nos permite sair do seu jugo e buscar novas regras, já que pelas atuais, os políticos e altos cargos dos Poderes são blindados. Esta Nação morreu! A ideia de separatismo do Sul feneceu, em face do protagonismo de alguns nativos e com muita desenvoltura junto ao Poder.

Viu e se vê,  muitos dos nossos conterrâneos grudados nas falcatruas que correm e são denunciadas, o que permite inferir que não se trata de questão territorial, mas de comunhão de sentimentos, cujo clamor vem do Norte até o Sul e tem igual de Leste a Oeste do País. Sobra-nos então essa proposição, ou uma Assembleia Nacional Constituinte Já, sem a participação de políticos com mandato e de vedação de participar, desde os meramente indiciados em crimes, pois para tanto, basta apenas coragem e vergonha na cara.

14 junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Pelo cumprimento da lei

05  junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Há quem diga e consinta que banalizaram a lei posta e os seus operadores, pouco operam. Deviam lembrar-se dos seus compromissos éticos que orientam o exercício dos cargos e funções públicas. Parece que não atuam como deveriam, apenas  para não se incomodarem. Também parece se preocuparem com a repercussão das suas decisões. Uma mera prisão legal, a depender do segmento que  integre o infrator, requisita sopesamento, ainda mais quando se identificam com o radicalismo, com o ativismo dos ditos “movimentos sociais”. A esses, parece que a lei precisa ser interpretada com muita elasticidade, parecendo que o ecoar de vozes de comícios, onde líderes esbravejam e se insurgem contra os atos das autoridades e enaltecem seus bandidos preferenciais, tidos agora como heróis injustiçados, tem chegado com certo apreço aos ouvidos de quem deveria atuar com melhor filtro.

É certo que algumas autoridades do País nos envergonham diante da omissão e da corrente consulta que fazem ao politicamente correto ministrado por um lado: o do mal! Essas omissões de quem deveria se impor, sem sombra de dúvidas, traz algumas consequências que podem afetar a Ordem Pública, que significa nada mais do que o primado da lei sobre a barbárie. Para alguns, barbárie traz evocação a um tempo muito longínquo, quando em verdade a sociedade moderna segue, no dia a dia, lutando contra ela, pois a beligerância que a alimenta, parece ser uma marca da qual o homem não se afasta, dada a sua imperfectibilidade, onde o  egoísmo ponteia. Basta ver que nem nas discussões elementares o homem gosta de ceder e até sentencia: “respeito, mas não concordo”! O seu lado deve prevalecer, mesmo que tenha que se socorrer às ressalvas.

Sem adentrarmos em interpretações mais complexas para definir Ordem Pública, opto por seguir síntese de Norberto Bobbio, que dá conta que no seu sentido material remete para convivência ordenada, segura, pacífica e equilibrada. Por evidente, que se torna despiciendo ampliar o conceito, para consentir que a nossa paz e tranquilidade se aperfeiçoam, na medida em que não se renegue o primado da lei, o qual impõe ao cidadão observá-la regiamente e, na sua violação, o Estado, por seus instrumentos disponíveis, atuará coibindo todas as infrações, sem permitir que a polícia trate de flexibilizar sua atuação diante da sua violação. Na sequência, que o aparato denunciativo, o julgador e o executor das medidas que impõem a sanção, cumpram no exato sentido que a própria Lei os obrigue. Será pois, pela certeza que o descumprimento da lei trará as devidas consequências, que muito ímpeto e não todo, será estancado.

O  cumprimento da lei é medida assecuratória para a convivência pacífica entre os homens, pois sem regras, a civilização retrocede e acabamos por consentir que o mal se sobressaia sobre o bem, quando então nossa vida, nosso patrimônio, nosso ânimo, nossos sonhos, nossas esperanças começam a minguar e culminamos em ser submetidos à bandidagem, à violência, à prepotência de verdades únicas sem capacidade de contraditá-las.

Então que cuidemos dos movimentos na nossa volta, pois a banalização da lei e da ordem, por via de consequência, pode ser algo muito bem pensado e, mesmo sob a falácia de quererem fortalecer a democracia, podem querer em verdade, impor a implantação do estado totalitário, onde até podemos consentir que possa vigorar a ordem, mas segundo conceitos e práticas que aviltam, subjugam e aniquilam ideais de bem viver em liberdade, igualdade e fraternidade.

05  junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Quem é o pior?

24 de maio de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Pois então Seu Izaltino, se fizessem uma pesquisa para ver quem é o pior na vida do País, acho que daria 99% para os políticos. O Senhor concorda.

– Só um pouquinho Coronel, deixa eu ajeitar essas compras que a patroa encomendou do Mercado Público antes que o ônibus arranque. Pois então lhe respondo na seca: nada disso, não são os piores!

– Êpa! Não entendi. Sinceramente, o Senhor não lê jornal, não ouve Rádio e nem assiste televisão? Não imagino tratar com um alienado, com o respeito que nos liga.

E aí o tom de voz se elevou, pós pigarro e um maneio do corpo, para se ajeitar no assento do coletivo linha Jardim Botânico. Veio a sentença dura e seca:

– Político não existe Senhor Coronel da querida briosa Brigada. Muito me admira um homem que chegou no topo da profissão e ainda advogado,  não saber que político é uma ficção? Não passam de advogados, médicos, sindicalistas, professores, atletas, charlatões, cafetões, operários, militares, policiais e outras cositas mas. É que alguns ficam nessa se reelegendo e vão ficando como se fosse uma profissão. É por isso que tá desse jeito. Por primeiro, errado e por segundo, é que  consentimos com tudo que eles fazem. Até se aposentam e dali saltam para outras boquinhas como Tribunais de Contas, se efetivam aqui e ali.

-Claro que sei disso, Seu Izaltino, mas sua visão não merece reparo. Ocorre que estamos tão acostumados a vê-los protagonizando tanta desfaçatez, cambalachos e demais peripécias e agora tudo se descortina como nunca, desde o modo como eles vivem e sobrevivem. Por isso sigo fiel a minha percepção da pesquisa.

– Ora Coronel, não quis ser mais sabichão que ninguém e menos ainda disputar saber com o Senhor, pois tenho mais de vida vivida do que escola frequentada, mas como sou mais velho, vi muitos desfilarem com suas safadezas, que não são de hoje. Aí pelo Rio Grande afora, no passado, saíram  fazendo escolinha a torto e a direito, contando  com empreiteiros e atrás ia uma mala para ser enchida. Chamavam isso de priorizar a educação, enquanto os Professores já eram maltratados igual hoje.

– Então o Senhor quer me dizer que tem mais mito do que verdade? Que seguem velhas práticas?

– Por evidente. O que deu uma calmada foi a Ditadura, mas daí é um capítulo longo e nem eles conseguiram segurar como queriam ou deviam. Olha Coronel, uma coisa eu lhe digo e acho que seria conversa para várias idas e vindas nesse itinerário centro bairro e bairro – centro: o pior não é o político e sim somos nós, que permitimos tudo calados, quietos a esperar que venha um salvador da Pátria. Agora falam no Bolsonaro, acho que é por ser militar, porque no fundo, o povo imagina que ordem mesmo, nessa bagunça, só com o tacão da bota. Nisso fico num zigue-zague, ora prá lá, ora prá cá, porque até os milicos são brasileiros e a cobiça, as boquinhas, os penduricalhos, emprego pro filho, esticar um direito, uma pensãozinha, uma bolsa de estudo fora e tudo o mais que se sabe faz parte do cardápio. Tô beirando os oitenta e acho que parto sem ver melhoras!

– Estamos chegando na parada Seu Izaltino e ainda bem que não é o fim da linha.

– Não é, mas quase estamos chegando lá.

– Então até a noite no Centro Espírita, Seu Izaltino.

– Até de noite, pois do que jeito que a coisa tá, só o Homi é que pode ajudá!

24 de maio de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Dias das mães

14 de maio de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Dias das mães

Dia para reverenciar, lembrar, agradecer e porquê não questionar? Ora, bem sabemos que a maternidade é divina, inobstante o ser que concebe, como as diversas condições em que ocorre a gravidez, o parto e depois a criação. Bem sabemos que muitos seres poderiam não ter vingado, por vários motivos, desde a fragilidade própria, como decorrência de um conúbio equivocado, tosco e despido de qualquer ato sublime, a que chamamos de fruto do amor.

Dito isso, teria muito  mais, desde doenças das diversas ordens, descuidos do parto e até surpresas deixadas na porta de estranhos, numa caixinha suja e até em latas de lixo. Há que se condenar tudo, até porque nossa avaliação sempre se dá segundo nossas condições intelectuais, morais e até o nosso elevado espírito de renúncia diante dos acometimentos da vida nos momentos em questão. Visto este e tido como vil ato, segue que também pode ser encarado como ato de amor, pois corre na lógica de que se não posso criar, por certo, qualquer destino será melhor longe de mim!

Mãe é uma só, como costumeiramente se diz, no entanto ao recordar da minha mãe, sempre a terei como sui generis, pois ela em vida, enquanto pôde se conduzir pelas próprias pernas, sempre foi múltipla, pois no albor na juventude, além de dar conta das demandas do lar, trabalhou muito, desde a sua condição de lavadeira de fardas do marido, agregava plus ao sustento do lar, com o cuidado as fardas dos colegas do pai, acumulando com a de cozinheira do Presídio local, lá pelo interiorzão da nossa Campanha.

Já na minha cidade natal, na minha querida Montenegro, na minha infância,  vi a minha mãe dando conta das demandas do lar, com seis filhos e marido a atender, revezando o encrespar cabelo de muitas mulheres no dia, com o suprimento do comércio, na feitura de pirulitos artesanais, que segundo dizem, em muito salvou a nossa pele, já que reinava no RS um Governador conhecido como caudilho, que inflamava as massas, mas que na real, nunca passou de um embuste e prova disso é que  atrasou os vencimentos dos brigadianos em nove meses. Eis pois uma das razões de poder dizermos ter contado na casa com a verdadeira Dama de Ferro, com mais direitos à cognominação daquela conhecida mundialmente.

Ocorre que depois da sua partida, pós ter cumprido sua missão de subsistência, amparo, educação, suprimento, muitos corretivos na verdadeira acepção da palavra  e cujo alvo principal foi este que ora é lido, volta e meia, nas conversas de família recordamos, sopesamos e até, mesmo com ponta de ingratidão, paira reticências em algumas posturas, opções ou decisões, afinal, não fosse isso Freud nem teria leitores ou quem sabe, morreria de fome. Claro que o sublime sempre avulta, pois a maternidade tem essa condição, mas o choro é livre, como grassa na vida corrente das pessoas!

Então neste dia, ao lembrar da minha mãe, sempre rola um engasgo na garganta, dá saudade, de alguma forma vem os cogitos, principiados por muitos “se”. Desses, corre para muitos o se ela estivesse viva! No meu caso, a minha,  mesmo como seus 96 anos, como seria o dia de hoje?

Assim homenageio todas as mães, desde a minha mulher e evocando a minha mãe, atuo com reconhecimento pelo tanto que fez por nós,  filha de estrangeiros, sei dos enormes sacrifícios que a vida lhe imputou e somente hoje, na condição de pai e ao ver minhas três filhas se relacionarem com a minha mulher, consigo ver algo que me escapava no seio do meu lar de infância e juventude e fico com a certeza de que as decisões maternas requisitam ser respeitadas, mesmo quando a leitura dos fatos pelos filhos possa ter gerado zanga, diante da racionalidade, quando queríamos saídas fora desse campo. Por isso e muito mais, mãe é uma só, mesmo sendo múltipla.

14 de maio de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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