Eu tive um sonho

 

Foi um sonho muito bom, pois me via na Rua Principal da minha cidade natal revendo amigos de sempre. Era sábado pela manhã, um dia especial para visitar a cidade, porque muitas pessoas  rumam para o Centro, vez que o labor da maioria se encerra na sexta-feira. Tudo muito interessante porquanto o ponto de encontro de amigos ocorre na esquina do Café Comercial, onde os assuntos correntes são a tônica.

Nesse dia o assunto da pauta seguia ao dos dias anteriores: política e o desapontamento com os políticos País afora. Lá na terrinha que me acolheu desde a chegada da cegonha na Rua Independência, no ano de 1954, conta-se com um Prefeito afastado e isso vem confirmar a regra da realidade e práticas dos eleitos,  em sua maioria.

Lá pelas 11:00 horas o clima esquentou e o tom de voz aumentou. Não havia mais mogeração e ninguém conseguia atuar como mediador, até que o Foguinho se engasgou de tanto vociferar contra os desmandos dos gestores públicos e das falcatruas que dominavam o Parlamento de Sul e Norte e de Leste a Oeste. Dessa oportunidade de pausa, foi pela voz do Gringo da Pizzaria que intimou aos presentes, aos circundantes e a quem mais chegava , que era hora de reiniciar os comícios. De pronto descolaram um tonel na Oficina do Schnaps, perto dali e o povo começou a se concentrar na esquina, a qual veio também ser cognominada de da Antidemocracia e da Ilegalidade. Era tudo insurgência ao estado de coisa que corre e que constrange, parece,  à maioria do povo.

Alguns moderados foram varridos de qualquer fala; os ditos democratas de esquerda, meia dúzia de gatos pingados, que ainda resistem e insistem em dizer que o PT não enganou, não frustrou, não surrupiou foram corridos juntamente com alguns de famílias militantes de tradicionais Partidos de direita,, cujo crédito anda mais por baixo do que sola de sapato, pois se igualaram em desfaçatez. Mas foi pela oportunidade do engasgo que deram voz a um advogado bem-quisto por todos, quando  resolveram batizar o nome da esquina. Tendo então do  Dr. Marciano, do alto da sua respeitabilidade sentenciado: ora, se a lei não vem sendo respeitada, se o oportunismo se escora em regras clientelistas, votadas em fraude à procuração que foi passada pelo povo  e se o roubo, a corrupção e a impunidade grassa solta, nada há que se falar ou enaltecer o sistema, o regime e tudo o mais que nos oprime, constrange e esmaga nossa gente. Lutemos pois,  pelo resgate da legitimidade, pois essa tal de legalidade é blefe.

Aplausos e a palavra passou a correr em revezamento sobre o tonel, que se estendeu por mais de duas horas, tendo sufragado a fome que se mataria lá pelo meio dia. Veio pelas última falas um certo consenso: – “Não vamos re-eleger nenhum dos atuais políticos que possuem mandato e vamos enfrentar a nossa moda tudo o quanto nos constrange. Vamos fazer esse ato ser reproduzido no Caí, na Capela de Santana, no Portão, em Taquari, na Nova Santa Rita e País afora. Assim as Reformas vão ocorrer através de uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva e sem a participação de políticos com mandato. Será a nossa vez de colocar os pingos nos is e acertar os ponteiros do relógios, com previsão de Eleições Gerais em seis meses e para sempre. Mais se disse e noutra oportunidade posso relatar!

Ouvi então um alarme tocar, era do despertador, como os ponteiros bem ajustados que me impediram de seguir a curtir a maior euforia e regozijo possível, pois a realidade não tem  tonel , nem comício, nem som, nem consenso e muito menos ação cívica, iniciativa ou qualquer ato concreto para sensibilizar quem só sabe se indignar e resmungar. Então que sigamos reféns, usados, humilhados e até extorquidos por uma camarilha que só atua em prol do benefício próprio.

 

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