Curta o frio, mas seja sensível

Faz frio no RS, faz frio em muitos lugares. Mera questão climática a assertiva inicial, mas para além da sensação, vizinhamos com gente que passa muito frio, aduzido pela falta de moradia e de alimentação. Diria ser  mera questão de oportunidade na vida, pois nem sempre podemos optar e até o desígnios divinos parecem nos surpreender ou quem sabe, até arrefecer nossa fé diante da desgraça de alguns.

Dias atrás reproduzi uma sentença de um africano que falava português e que chamava a atenção de quem acessou a sua postagem, que deveríamos sempre estar atento para três palavras: “Isto vai passar”. Postei e teve boa acolhida, mas ao dizer que elas ficaram martelando em minha cabeça, nem me passou pela conta de que isso continuaria a me cutucar.

Assim, numa das minhas andanças pela cidade, ao passar por um Centro de acolhimento de carentes, questionei  se a fome e o frio daquelas pessoas iria passar ou apenas seria amenizado?

Um dileto interlocutor ao ouvir-me, redarguiu  que isso ocorre desde os primórdios da humanidade, pois sempre teve excluídos, vencidos, derrotados pelos oponentes e até por si mesmos.  No entanto consentiu que mesmo  sabendo disso, não podemos dar as costas e fingir que não existe, não perturba e não traz indignação. Apenas parece que somos grandes para tantas coisas majestosas, mas para as elementares que nos cercam, ficamos tão pequenos, encolhidos e reduzidos a olhar só para o nosso umbigo e sequer nos transportarmos, mesmo que imaginariamente, para a pele de quem sofre.

É o tal do social que nos acomete, mas que também nos revolta diante de tantas promessas que fazem aqueles que se apresentam,  de tempos em tempos,  a solicitar nossa confiança e nossa procuração, mas logo a seguir somem das nossas vistas feito vigaristas, vendedores de bilhetes premiados.

A nossa parte, bem ou mal fazemos, mas se espera que o Estado brasileiro cumpra com o seu papel,  por ato de quem possua mandato de qualquer natureza, porque o frio pode passar, mas fome cada vez mais aumenta e avilta e, não se pode dividí-la em estações do ano para amenizar a aflição.

Então, que iniciem devolvendo o dinheiro que sumiu e quem ninguém viu levarem, apenas os seus advogados seguirão dizendo que os seus clientes só falarão em juízo e que irão demonstrar que as imputações que se lhes recaem, serão afastadas.

Enquanto isso, sigamos em benemerência tópica, pois o que falta para alguns, por certo,  temos algo que nos sobra, porque o inverno está recém começando e dá impressão que custa muito para passar!

 

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