Escrever não é fácil

 

Quando indagam: “Pra quem escreves?”, digo: Pros livros imaginários que publico e pros leitores imaginários que tenho. (LuCarrero)

Costumo e gosto ler os escritos de uma conterrânea, pois são textos diferenciados daquilo que lemos no cotidiano. Consegue ela com seu talento prender nossa atenção e requisita sacrifícios até, vez que seu vocabulário é farto e sofisticado, sem contudo dar às costas ao que rola na vida dos comuns mortais. Dessa forma, pós leitura, trato de comunicá-la da minha leitura e envio algumas loas, justas e merecidas. De igual, mas não proporcional, ela quando lê algumas mal traçadas linhas que mando para o mundo, manda uma sinalização com seu OK ao lido, o que interpreto como seu grande incentivo para que eu siga e busque me aperfeiçoar. Para meu comodismo, poderia viver sem isso, pois daí, até poderia encerrar meu ensaio de escritor, que penso ser um sonho de muitos.

Trata-se , pois de uma pessoa culta, viajada, de belíssima formação familiar, sob a égide da cultura germânica,  que tanto contributo nos deu, notadamente pelo sentido prático e objetivo dos seus atos, os quais alcançam a  escrita: direta, bem pensada, bem articulada, mas despida de floreios, tudo contribuindo para aguçar reflexões.

Pois aquilato que essa pessoa sabe muito bem o que significa escrever e tornar públicas visões e percepções de cotidiano, nos diversos campos da atuação humana. Pela sua  exímia escrita, fruto de lucidez e propriedade,  também pode contar com  algum sofrimento inerente a sua condição humana, mas sei ser diferente do que acontece comigo, pois  para quem tem arte e o ofício, tudo flui com mais facilidade, sem conhecer muito a  aflição  que se flete sobre os esforçados.

Escrever é exposição sem estima de preço, pois pode nos levar até as barras dos Tribunais e sermos alvos de indenizações, mesmo nas postagens no Facebook, afora tantos outros aspectos que levam às consequências imprevisíveis, pois a distância entre o que penso e digo, nem sempre tem o mesmo atendimento na recepção. Mesmo assim seguimos nessa empreitada, onde alguns atuam com maestria e sonoridade, outros  atuando nos estritos limites do politicamente correto e um terceiro segmento,  daqueles  que apenas gostam de escrever, mas que sofrem muito na ação. A coragem destes, ou quem sabe,  a cara de pau, lhes  impele ao ato. Afinal, quem pode dar limites ao livre pensar e externar nos tempos atuais?

Mesmo com tanta liberdade, o que não se pode permitir é o que mal prospere  nas contraditas, nas críticas ou nas réplicas, tomando feição de acinte e desrespeito, o que  volta e meia ocupa postagens no Facebook, ainda mais quando desconhecidos que se achegam de mansinho, propondo amizades virtuais que acatamos, por conta e obra da menção de amigos em comum e quando se vê, desferem flechas, sem motivo algum que  ferem imagens, conceitos e reputações.

Quando me deparo com situações dessa ordem,  a sensatez,  que pode ser apenas uma fagulha que me acomete, indica recolhimento, mas  isso me parece se aproximar do pecado da omissão e renúncia imperdoável, pois vivendo num país que conta com milhões de analfabetos funcionais, deixar de dar uma contribuição, na busca do esclarecimento dos fatos e incitar pessoas para que leiam mais, para melhor refletirem, seria fugir da raia e até rompimento com sentido cívico da nossa ação.

Então afirmo que este processo é complexo por muitos motivos e, invariavelmente busca o bem, o que então nos permite sempre refutar retornos desrespeitosos, que difere da crítica que tanto alimenta e aperfeiçoa o escrevente e também o escritor!

Curta o frio, mas seja sensível

Faz frio no RS, faz frio em muitos lugares. Mera questão climática a assertiva inicial, mas para além da sensação, vizinhamos com gente que passa muito frio, aduzido pela falta de moradia e de alimentação. Diria ser  mera questão de oportunidade na vida, pois nem sempre podemos optar e até o desígnios divinos parecem nos surpreender ou quem sabe, até arrefecer nossa fé diante da desgraça de alguns.

Dias atrás reproduzi uma sentença de um africano que falava português e que chamava a atenção de quem acessou a sua postagem, que deveríamos sempre estar atento para três palavras: “Isto vai passar”. Postei e teve boa acolhida, mas ao dizer que elas ficaram martelando em minha cabeça, nem me passou pela conta de que isso continuaria a me cutucar.

Assim, numa das minhas andanças pela cidade, ao passar por um Centro de acolhimento de carentes, questionei  se a fome e o frio daquelas pessoas iria passar ou apenas seria amenizado?

Um dileto interlocutor ao ouvir-me, redarguiu  que isso ocorre desde os primórdios da humanidade, pois sempre teve excluídos, vencidos, derrotados pelos oponentes e até por si mesmos.  No entanto consentiu que mesmo  sabendo disso, não podemos dar as costas e fingir que não existe, não perturba e não traz indignação. Apenas parece que somos grandes para tantas coisas majestosas, mas para as elementares que nos cercam, ficamos tão pequenos, encolhidos e reduzidos a olhar só para o nosso umbigo e sequer nos transportarmos, mesmo que imaginariamente, para a pele de quem sofre.

É o tal do social que nos acomete, mas que também nos revolta diante de tantas promessas que fazem aqueles que se apresentam,  de tempos em tempos,  a solicitar nossa confiança e nossa procuração, mas logo a seguir somem das nossas vistas feito vigaristas, vendedores de bilhetes premiados.

A nossa parte, bem ou mal fazemos, mas se espera que o Estado brasileiro cumpra com o seu papel,  por ato de quem possua mandato de qualquer natureza, porque o frio pode passar, mas fome cada vez mais aumenta e avilta e, não se pode dividí-la em estações do ano para amenizar a aflição.

Então, que iniciem devolvendo o dinheiro que sumiu e quem ninguém viu levarem, apenas os seus advogados seguirão dizendo que os seus clientes só falarão em juízo e que irão demonstrar que as imputações que se lhes recaem, serão afastadas.

Enquanto isso, sigamos em benemerência tópica, pois o que falta para alguns, por certo,  temos algo que nos sobra, porque o inverno está recém começando e dá impressão que custa muito para passar!

 

Acomodação

         Alguém tem dúvidas de que a justiça termina quando inicia a ação dos Tribunais Superiores do País; de que o STF não faz falta; que tudo deve ser julgado na paróquia com Côrtes formadas por um magistrado, ladeado por dois cidadãos das comunidades consideradas; que se desperdiça muito dinheiro com essa falácia de ampla defesa, cara aos cofres públicos e que, via de regra, serve para salvar bandidos de todas as matizes; que a Justiça Eleitoral devia julgar todas a denúncias no ato e fim de conversa; que jogam dinheiro que falta na saúde, na educação e na segurança para defender ritos que inexistem no Primeiro Mundo; que dentre tanto que se poderia falar, vivemos o desencanto de tudo isso saber e nada poder fazer, porque até a mídia ajuda a dar curso a todo esse descompasso.

        Para quem leu ZH e viu as projeções e prospecções dos Partidos do RS para eleições e sucessão, o quadro é por demais deplorável e tudo não passa de como manter os mesmos ineptos, incapazes que surfam em boas ondas com votos que tiveram o mesmo preço País afora. Será que não seria por demais constrangedor irmos às urnas para eleger um novo Chefe do Poder Executivo, ao invés de um Governador que realmente governe a todos sem a tibieza e se assiste, punindo seus súditos com desmanches da estrutura do Estado, humilhando com atrasos salariais e saudando e temendo o andar de cima – o Legislativo e o Judiciário, assim como devedores contumazes e o fisco não lhes vê de maneira alguma. Se nada disso sensibiliza, dói, corrói, que se conduza os mesmos a esse fausto emprego, onde veremos Senadores gaúchos pouco devolvendo, mas em via de aposentar-se como ta. Oito (8) 8 anos é demais, 16 anos é acinte…

       Olha pro teu lado, para teu bairro, para tua empresa, para teu emprego, para tua cidade, para tua confraria, ONG, Clube de Serviço, Social, Esportivo, Recreativo e vê se nada temos de melhor do isso que se estampa, ou a página 10 da Zero Hora seguirá fazendo a convenção dos partidos, que te negas a participar! Olha meus amigos, nosso Estado tem gente muito qualificada e proba para seguirmos abonando algumas figuras públicas, cuja imagem fala por si, basta apenas prestar a atenção e se nada concluir-se, se informe sobre sua produtividade até aqui e com quem se ligam na política. Até o Operação Rodin – roubo do DETRAN, se imaginava que o RS contava com políticos imaculados. Claro, não deu em nada, ou ao menos o que se esperava, apenas se viu que a Justiça, para alguns tarda, tarda, tarda muita e até oportuniza o esquecimento, mas para o andar de baixo mesmo que tarde, dificilmente falha!

       É por demais sabido que a nossa acomodação do presente,  gera muitos dessabores no futuro e, como a vida é sempre para a frente, em atos contínuos, muitos deles irreparáveis, importa que decidamos quanto ao nosso papel: atuar, saindo da nossa zona de conforto ou entrando em campo, vestindo a camiseta e fazendo boas apostas, pois em muitos campos da atividade humana podemos contribuir, efetivamente, para que mudanças se operem, mesmo que possamos até julgar pequeno o nosso contributo, mas por certo, será muito maior que a omissão da maioria.

CurtirMostrar mais reações

Comentar