Especialistas

21  junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Falam e falam muito, dizem e dizem mais ainda. No plano do fazer, nada fazem, nem mesmo indicar o melhor caminho para os outros seguirem. De teoria, nada mais se precisa, porque quase tudo já foi constatado, falado e dito, mas de prático, os especialistas apenas seguem constatando que o crime vai de elevador, enquanto a polícia sobe pela escada. Nesse elevador, parece que sobem com diletas e proeminentes companhias a lhes garantir mais desenvoltura e muita impunidade. Pela escada, rolando suor no rosto, conjugando-se com a indignação, vai a polícia se fazendo acompanhar pela ingratidão de muitos que clamam por segurança e também daqueles que deviam, por força dos seus cargos, prestigiá-la.

Afinal, quem são os especialistas em Segurança Pública e quanto ajudam neste contexto turbulento? Que formação se exige para que se erijam a tal condição? Será que distantes da realidade do crime e do ato de prevení-lo e coibí-lo, podem instrumentar falas fluídas que tanto se vê prosperar nas mídias? Seriam, pois, tantas perguntas e quiçá pudéssemos contar com respostas que possam satisfazer completamente nossa inquietação, a qual se divide com os mais atentos.

Sabe-se que a complexidade das relações sociais dá ensejo aos altos estudos das academias, ficando, pois, defeso negarmos a ciência e os seus  importantes passos para a consolidação de verdades, cujo part prix, regra geral, decorre da pesquisa. Esta então se presta a prospectar o fato social em questão, quando nos remetemos aos estudos dos movimentos humanos. Em alinhamento, também se sabe que a pesquisa tem a sua especificidade em contraposição à generalização, o que por si nos permite dizer que no campo da segurança pública deve imperar a transversalidade e a universalidade do conhecimento, pois são múltiplos os intervenientes que se comunicam.

Disto pode se concluir que cognominados especialistas, sem formação e atuação policial,  não gozam de tamanha autoridade para expressar seus ditames, que por vezes, não passam de meras impressões ou inferências, vez que suas formações acadêmicas são específicas e,  naquilo que envolver a segurança pública,  se restringe à algumas poucas nuances de um todo complexo que a cenvolve, desde a lei posta, a atuação do infrator, suas motivações, vida pregressa, condições sanitárias, vivenciais, habitacionais, humores, modus operandi, herança genética e até pré-disposição ao crime, da qual não abro mão de enunciar.

Parece-me, pois, haver muita ousadia alguém se arvorar na condição de especialista em Segurança Pública, tendo conhecimento apenas pelo outro lado do balcão, pois é campo por demais complexo, a requisitar vivência, literatura, cultura e acima de tudo, humildade para saber que por mais que se ande nesse terreno, sempre se conviverá com mais aprendizagens.

21 junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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