Reminiscências ou tudo como dantes?

21  junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Revendo recortes, fui dar com um texto do Correio do Povo de 1987, o qual guardei pela sua  consistência e também aliado à dignidade do  autor,  um homem público marcante, que penso ter se aposentado como Procurador de Justiça. Falo pois, do Dr. Lauro Guimarães, um letrado, fidalgo, que balizou condutas neste pago e por certo neste mundão de Deus. O título, “A honra dos Patifes, que agora relido, se apresenta atual e ouso tomar a liberdade de transcrever alguns excertos que, por certo, comprovam minha assertiva.

Inicia assim: -“Se este fosse o “melhor dos mundos”, como queria o Dr. Pangloss, não precisaríamos de leis penais, prisões, polícia, agentes penitenciários, nem – suprema ventura! – do Secretário da Segurança… O problema é que, desde a infância da humanidade, de Caim ao Zé do Doro, uma parcela de indivíduos frauda, rouba, estupra, mata seus semelhantes, gerando, como autodefesa, a reação do grupo social e a ação do Estado, para repor a paz violada pelo delito, isolar o infrator, julgá-lo e, se culpado, aplicar-lhe a pena antevista na Lei.

Na sequência do belo e elucidativo texto, que bem descreve a nuances do delito e a luta do homem para estancar ímpetos, trata de enunciar caracteres que se modificam nas práticas delituosas, também manifesta-se quanto à evolução da ciência nos diversos campos, em descompasso com o estancar do delito. Assim, reportando-se às prisões ou às imerecidas liberdades, em síntese dá conta de que os bandidos tiveram rompidos na mente os freios que balizam o comportamento, assim como se lhes apagou da consciência o marco divisor entre o justo e o amoral. Disse mais e até gostaria de publicar o todo, mas o espaço e a tradição do jornal, mesmo virtual, impõe-me enveredar para o fim, onde reservo mais uma atualidade do texto, em face de prática que em muito vem constrangendo o meio policial e os homens e mulheres de bem da sociedade.

Assim segue mais três resumos, onde no primeiro trata, de alguma forma, a justificar o título, pois se refere que os indignos infratores da lei, de vida tortuosa, parecem adquirir, repentina e surpreendente ampla credibilidade pública, quando, diante de um microfone, câmara de TV ou do caderno de notas do repórter frenético, acusam autoridades públicas e os seus agentes em face da ação coibitiva ou sustadora da sequência criminosa.

Por segundo, enaltece o peso moral das imputações que caem sobre os policiais que dedicam sua vida a combater o crime e etc. E, para  arrematar, diz que:  “Em países mais desenvolvidos que o nosso, criminoso  não dá entrevista – poupa-se a coletividade ordeira do  insulto de suas torpezas. Aqui, ao que parece, lhes é atribuída uma alta distinção social, um novo conceito de honra. A honra dos patifes.

E para que possamos avaliar quanto a atualidade do escrito e também de como, em muitas coisas mudamos pouco, assinalo que 1987 foi o ano que antecedeu a atual Carta Constitucional, estando assim o País em ebulição para mudar o que preciso fosse, ou o que o PMDB quisesse, mesmo que só para constar, pois ainda vivemos como nossos pais. Prova disso é que no verso do Jornal em questão, estava estampado: “Sugestão – Poeta e filósofo Canoense sugere que os constituintes escrevam na Constituição a proibição de reeleição para deputados e vereadores. Será, segundo ele, uma janela de regeneração da política no Brasil inaugurando-se a rotatividade do povo no poder”.

Muito atual, tudo como dantes. Pelos dois turnos para o Parlamento ou NÃO RE-ELEJA.

21 junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Especialistas

21  junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Falam e falam muito, dizem e dizem mais ainda. No plano do fazer, nada fazem, nem mesmo indicar o melhor caminho para os outros seguirem. De teoria, nada mais se precisa, porque quase tudo já foi constatado, falado e dito, mas de prático, os especialistas apenas seguem constatando que o crime vai de elevador, enquanto a polícia sobe pela escada. Nesse elevador, parece que sobem com diletas e proeminentes companhias a lhes garantir mais desenvoltura e muita impunidade. Pela escada, rolando suor no rosto, conjugando-se com a indignação, vai a polícia se fazendo acompanhar pela ingratidão de muitos que clamam por segurança e também daqueles que deviam, por força dos seus cargos, prestigiá-la.

Afinal, quem são os especialistas em Segurança Pública e quanto ajudam neste contexto turbulento? Que formação se exige para que se erijam a tal condição? Será que distantes da realidade do crime e do ato de prevení-lo e coibí-lo, podem instrumentar falas fluídas que tanto se vê prosperar nas mídias? Seriam, pois, tantas perguntas e quiçá pudéssemos contar com respostas que possam satisfazer completamente nossa inquietação, a qual se divide com os mais atentos.

Sabe-se que a complexidade das relações sociais dá ensejo aos altos estudos das academias, ficando, pois, defeso negarmos a ciência e os seus  importantes passos para a consolidação de verdades, cujo part prix, regra geral, decorre da pesquisa. Esta então se presta a prospectar o fato social em questão, quando nos remetemos aos estudos dos movimentos humanos. Em alinhamento, também se sabe que a pesquisa tem a sua especificidade em contraposição à generalização, o que por si nos permite dizer que no campo da segurança pública deve imperar a transversalidade e a universalidade do conhecimento, pois são múltiplos os intervenientes que se comunicam.

Disto pode se concluir que cognominados especialistas, sem formação e atuação policial,  não gozam de tamanha autoridade para expressar seus ditames, que por vezes, não passam de meras impressões ou inferências, vez que suas formações acadêmicas são específicas e,  naquilo que envolver a segurança pública,  se restringe à algumas poucas nuances de um todo complexo que a cenvolve, desde a lei posta, a atuação do infrator, suas motivações, vida pregressa, condições sanitárias, vivenciais, habitacionais, humores, modus operandi, herança genética e até pré-disposição ao crime, da qual não abro mão de enunciar.

Parece-me, pois, haver muita ousadia alguém se arvorar na condição de especialista em Segurança Pública, tendo conhecimento apenas pelo outro lado do balcão, pois é campo por demais complexo, a requisitar vivência, literatura, cultura e acima de tudo, humildade para saber que por mais que se ande nesse terreno, sempre se conviverá com mais aprendizagens.

21 junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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A honra dos Patifes – Reminiscências ou atualidade?

21  junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Revendo recortes, fui dar com um texto do Correio do Povo de 1987, o qual guardei pela sua consistência e também aliado à dignidade do  autor,  um homem público marcante, que penso ter se aposentado como Procurador de Justiça. Falo pois, do Dr. Lauro Guimarães, um letrado, fidalgo, que balizou condutas neste pago e por certo neste mundão de Deus. O título, “A honra dos Patifes, que agora relido, se apresenta atual e ouso tomar a liberdade de transcrever alguns excertos que, por certo, comprovam minha assertiva.

Inicia assim: -“Se este fosse o “melhor dos mundos”, como queria o Dr. Pangloss, não precisaríamos de leis penais, prisões, polícia, agentes penitenciários, nem – suprema ventura! – do Secretário da Segurança… O problema é que, desde a infância da humanidade, de Caim ao Zé do Doro, uma parcela de indivíduos frauda, rouba, estupra, mata seus semelhantes, gerando, como autodefesa, a reação do grupo social e a ação do Estado, para repor a paz violada pelo delito, isolar o infrator, julgá-lo e, se culpado, aplicar-lhe a pena antevista na Lei.

Na sequência do belo e elucidativo texto, que bem descreve as nuances do delito e a luta do homem para estancar ímpetos, trata de enunciar caracteres que se modificam nas práticas delituosas, também manifesta-se quanto à evolução da ciência nos diversos campos, em descompasso com o estancar do delito. Assim, reportando-se às prisões ou às imerecidas liberdades, em síntese dá conta de que os bandidos tiveram rompidos na mente os freios que balizam o comportamento, assim como se lhes apagou da consciência o marco divisor entre o justo e o amoral. Disse mais e até gostaria de publicar o todo, mas o espaço e a tradição do jornal,  impõe-me enveredar para o fim, onde reservo mais uma atualidade do texto, em face de prática,  que em muito vem constrangendo o meio policial e a própria sociedade.

Assim segue mais três resumos, onde no primeiro trata, de alguma forma, a justificar o título, pois se refere que os indignos infratores da lei, de vida tortuosa, parecem adquirir, repentina e surpreendente ampla credibilidade pública, quando, diante de um microfone, câmara de TV ou do caderno de notas do repórter frenético, acusam autoridades públicas e os seus agentes em face da ação coibitiva ou sustadora da sequência criminosa.

Por segundo, enaltece o peso moral das imputações que caem sobre os policiais que dedicam sua vida a combater o crime e etc. E, para arrematar, diz que:  “Em países mais desenvolvidos que o nosso, criminoso  não dá entrevista – poupa-se a coletividade ordeira do  insulto de suas torpezas. Aqui, ao que parece, lhes é atribuída uma alta distinção social, um novo conceito de honra. A honra dos patifes.

21 junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Tem saída, basta coragem e vergonha na cara

14  junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Após julgamento do TSE na sexta-feira, 09 do corrente, podemos dizer que os Poderes desfalecem e afrontam o senso comum. A nossa tal  democracia vem dando passagem para a cleptocracia, pois tem mais ladrões e gente graúda vivendo do fruto dessa ação do que se possa imaginar, até mesmo vestindo farda, toga e trajes caríssimos, segundo seu agir ou pela omissão condescendente. Já disse e repito, que o entrave que impede Reformas urgentes e devidas punições, reside no fato de que tem muitos brasileiros em posições por demais confortáveis, portanto, bem alojados em zona de conforto e garantidos pelo resto da vida. O que até seria motivo para lutar em prol do bem, o que poucos nessas condições fazem.

O cidadão perdeu a esperança de qualquer reversão, pois se contamos com um Presidente da República, flagrado em práticas ilícitas e que conta com fiéis escudeiros a lhe assessorar em prol do mal e a usar  mentiras, despintes e demais contorcionismos,  em afronta à  verdade, com apoio Parlamentar de maioria e segurança no julgamento pelos Tribunais, importa que entendamos que ele não é nosso Presidente e que esta Pátria não é a nossa. Então que nos apartemos, pois temos causa justa para fundarmos um Estado Paralelo transitório, que nada tenha a ver com o que esse que está aí existindo  e que sobrevive sob os auspícios da desonra.

Fundado no princípio da autodeterminação dos povos, penso podermos considerar que milhões de brasileiros que se insurgem contra os Poderes constituídos, os quais em quase nada atendem a vontade popular e as necessidades materiais de muitos e, morais,  de mais gente ainda, nos é dada a possibilidade de refundar o Estado, para vivermos numa Nação decente e distante dos maus, usurpadores do Poder, que nos aviltam, nos maltratam, e nos humilham, em face de atos desonrosos que praticam, como tal o roubo que os enriquece sem causa justa, que lhes permite comprar tanta gente,  os quais  até se disponibilizam a  postergar ou fraudar perícias.

Assim sendo, parece que nos desobrigamos até dos ditames Constitucionais e Penais, pois se a Lei posta não obriga a todos, vivemos em desigualdade, o que nos permite sair do seu jugo e buscar novas regras, já que pelas atuais, os políticos e altos cargos dos Poderes são blindados. Esta Nação morreu! A ideia de separatismo do Sul feneceu, em face do protagonismo de alguns nativos e com muita desenvoltura junto ao Poder.

Viu e se vê,  muitos dos nossos conterrâneos grudados nas falcatruas que correm e são denunciadas, o que permite inferir que não se trata de questão territorial, mas de comunhão de sentimentos, cujo clamor vem do Norte até o Sul e tem igual de Leste a Oeste do País. Sobra-nos então essa proposição, ou uma Assembleia Nacional Constituinte Já, sem a participação de políticos com mandato e de vedação de participar, desde os meramente indiciados em crimes, pois para tanto, basta apenas coragem e vergonha na cara.

14 junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Pelo cumprimento da lei

05  junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Há quem diga e consinta que banalizaram a lei posta e os seus operadores, pouco operam. Deviam lembrar-se dos seus compromissos éticos que orientam o exercício dos cargos e funções públicas. Parece que não atuam como deveriam, apenas  para não se incomodarem. Também parece se preocuparem com a repercussão das suas decisões. Uma mera prisão legal, a depender do segmento que  integre o infrator, requisita sopesamento, ainda mais quando se identificam com o radicalismo, com o ativismo dos ditos “movimentos sociais”. A esses, parece que a lei precisa ser interpretada com muita elasticidade, parecendo que o ecoar de vozes de comícios, onde líderes esbravejam e se insurgem contra os atos das autoridades e enaltecem seus bandidos preferenciais, tidos agora como heróis injustiçados, tem chegado com certo apreço aos ouvidos de quem deveria atuar com melhor filtro.

É certo que algumas autoridades do País nos envergonham diante da omissão e da corrente consulta que fazem ao politicamente correto ministrado por um lado: o do mal! Essas omissões de quem deveria se impor, sem sombra de dúvidas, traz algumas consequências que podem afetar a Ordem Pública, que significa nada mais do que o primado da lei sobre a barbárie. Para alguns, barbárie traz evocação a um tempo muito longínquo, quando em verdade a sociedade moderna segue, no dia a dia, lutando contra ela, pois a beligerância que a alimenta, parece ser uma marca da qual o homem não se afasta, dada a sua imperfectibilidade, onde o  egoísmo ponteia. Basta ver que nem nas discussões elementares o homem gosta de ceder e até sentencia: “respeito, mas não concordo”! O seu lado deve prevalecer, mesmo que tenha que se socorrer às ressalvas.

Sem adentrarmos em interpretações mais complexas para definir Ordem Pública, opto por seguir síntese de Norberto Bobbio, que dá conta que no seu sentido material remete para convivência ordenada, segura, pacífica e equilibrada. Por evidente, que se torna despiciendo ampliar o conceito, para consentir que a nossa paz e tranquilidade se aperfeiçoam, na medida em que não se renegue o primado da lei, o qual impõe ao cidadão observá-la regiamente e, na sua violação, o Estado, por seus instrumentos disponíveis, atuará coibindo todas as infrações, sem permitir que a polícia trate de flexibilizar sua atuação diante da sua violação. Na sequência, que o aparato denunciativo, o julgador e o executor das medidas que impõem a sanção, cumpram no exato sentido que a própria Lei os obrigue. Será pois, pela certeza que o descumprimento da lei trará as devidas consequências, que muito ímpeto e não todo, será estancado.

O  cumprimento da lei é medida assecuratória para a convivência pacífica entre os homens, pois sem regras, a civilização retrocede e acabamos por consentir que o mal se sobressaia sobre o bem, quando então nossa vida, nosso patrimônio, nosso ânimo, nossos sonhos, nossas esperanças começam a minguar e culminamos em ser submetidos à bandidagem, à violência, à prepotência de verdades únicas sem capacidade de contraditá-las.

Então que cuidemos dos movimentos na nossa volta, pois a banalização da lei e da ordem, por via de consequência, pode ser algo muito bem pensado e, mesmo sob a falácia de quererem fortalecer a democracia, podem querer em verdade, impor a implantação do estado totalitário, onde até podemos consentir que possa vigorar a ordem, mas segundo conceitos e práticas que aviltam, subjugam e aniquilam ideais de bem viver em liberdade, igualdade e fraternidade.

05  junho de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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