Quem é o pior?

24 de maio de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Pois então Seu Izaltino, se fizessem uma pesquisa para ver quem é o pior na vida do País, acho que daria 99% para os políticos. O Senhor concorda.

– Só um pouquinho Coronel, deixa eu ajeitar essas compras que a patroa encomendou do Mercado Público antes que o ônibus arranque. Pois então lhe respondo na seca: nada disso, não são os piores!

– Êpa! Não entendi. Sinceramente, o Senhor não lê jornal, não ouve Rádio e nem assiste televisão? Não imagino tratar com um alienado, com o respeito que nos liga.

E aí o tom de voz se elevou, pós pigarro e um maneio do corpo, para se ajeitar no assento do coletivo linha Jardim Botânico. Veio a sentença dura e seca:

– Político não existe Senhor Coronel da querida briosa Brigada. Muito me admira um homem que chegou no topo da profissão e ainda advogado,  não saber que político é uma ficção? Não passam de advogados, médicos, sindicalistas, professores, atletas, charlatões, cafetões, operários, militares, policiais e outras cositas mas. É que alguns ficam nessa se reelegendo e vão ficando como se fosse uma profissão. É por isso que tá desse jeito. Por primeiro, errado e por segundo, é que  consentimos com tudo que eles fazem. Até se aposentam e dali saltam para outras boquinhas como Tribunais de Contas, se efetivam aqui e ali.

-Claro que sei disso, Seu Izaltino, mas sua visão não merece reparo. Ocorre que estamos tão acostumados a vê-los protagonizando tanta desfaçatez, cambalachos e demais peripécias e agora tudo se descortina como nunca, desde o modo como eles vivem e sobrevivem. Por isso sigo fiel a minha percepção da pesquisa.

– Ora Coronel, não quis ser mais sabichão que ninguém e menos ainda disputar saber com o Senhor, pois tenho mais de vida vivida do que escola frequentada, mas como sou mais velho, vi muitos desfilarem com suas safadezas, que não são de hoje. Aí pelo Rio Grande afora, no passado, saíram  fazendo escolinha a torto e a direito, contando  com empreiteiros e atrás ia uma mala para ser enchida. Chamavam isso de priorizar a educação, enquanto os Professores já eram maltratados igual hoje.

– Então o Senhor quer me dizer que tem mais mito do que verdade? Que seguem velhas práticas?

– Por evidente. O que deu uma calmada foi a Ditadura, mas daí é um capítulo longo e nem eles conseguiram segurar como queriam ou deviam. Olha Coronel, uma coisa eu lhe digo e acho que seria conversa para várias idas e vindas nesse itinerário centro bairro e bairro – centro: o pior não é o político e sim somos nós, que permitimos tudo calados, quietos a esperar que venha um salvador da Pátria. Agora falam no Bolsonaro, acho que é por ser militar, porque no fundo, o povo imagina que ordem mesmo, nessa bagunça, só com o tacão da bota. Nisso fico num zigue-zague, ora prá lá, ora prá cá, porque até os milicos são brasileiros e a cobiça, as boquinhas, os penduricalhos, emprego pro filho, esticar um direito, uma pensãozinha, uma bolsa de estudo fora e tudo o mais que se sabe faz parte do cardápio. Tô beirando os oitenta e acho que parto sem ver melhoras!

– Estamos chegando na parada Seu Izaltino e ainda bem que não é o fim da linha.

– Não é, mas quase estamos chegando lá.

– Então até a noite no Centro Espírita, Seu Izaltino.

– Até de noite, pois do que jeito que a coisa tá, só o Homi é que pode ajudá!

24 de maio de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Dias das mães

14 de maio de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Dias das mães

Dia para reverenciar, lembrar, agradecer e porquê não questionar? Ora, bem sabemos que a maternidade é divina, inobstante o ser que concebe, como as diversas condições em que ocorre a gravidez, o parto e depois a criação. Bem sabemos que muitos seres poderiam não ter vingado, por vários motivos, desde a fragilidade própria, como decorrência de um conúbio equivocado, tosco e despido de qualquer ato sublime, a que chamamos de fruto do amor.

Dito isso, teria muito  mais, desde doenças das diversas ordens, descuidos do parto e até surpresas deixadas na porta de estranhos, numa caixinha suja e até em latas de lixo. Há que se condenar tudo, até porque nossa avaliação sempre se dá segundo nossas condições intelectuais, morais e até o nosso elevado espírito de renúncia diante dos acometimentos da vida nos momentos em questão. Visto este e tido como vil ato, segue que também pode ser encarado como ato de amor, pois corre na lógica de que se não posso criar, por certo, qualquer destino será melhor longe de mim!

Mãe é uma só, como costumeiramente se diz, no entanto ao recordar da minha mãe, sempre a terei como sui generis, pois ela em vida, enquanto pôde se conduzir pelas próprias pernas, sempre foi múltipla, pois no albor na juventude, além de dar conta das demandas do lar, trabalhou muito, desde a sua condição de lavadeira de fardas do marido, agregava plus ao sustento do lar, com o cuidado as fardas dos colegas do pai, acumulando com a de cozinheira do Presídio local, lá pelo interiorzão da nossa Campanha.

Já na minha cidade natal, na minha querida Montenegro, na minha infância,  vi a minha mãe dando conta das demandas do lar, com seis filhos e marido a atender, revezando o encrespar cabelo de muitas mulheres no dia, com o suprimento do comércio, na feitura de pirulitos artesanais, que segundo dizem, em muito salvou a nossa pele, já que reinava no RS um Governador conhecido como caudilho, que inflamava as massas, mas que na real, nunca passou de um embuste e prova disso é que  atrasou os vencimentos dos brigadianos em nove meses. Eis pois uma das razões de poder dizermos ter contado na casa com a verdadeira Dama de Ferro, com mais direitos à cognominação daquela conhecida mundialmente.

Ocorre que depois da sua partida, pós ter cumprido sua missão de subsistência, amparo, educação, suprimento, muitos corretivos na verdadeira acepção da palavra  e cujo alvo principal foi este que ora é lido, volta e meia, nas conversas de família recordamos, sopesamos e até, mesmo com ponta de ingratidão, paira reticências em algumas posturas, opções ou decisões, afinal, não fosse isso Freud nem teria leitores ou quem sabe, morreria de fome. Claro que o sublime sempre avulta, pois a maternidade tem essa condição, mas o choro é livre, como grassa na vida corrente das pessoas!

Então neste dia, ao lembrar da minha mãe, sempre rola um engasgo na garganta, dá saudade, de alguma forma vem os cogitos, principiados por muitos “se”. Desses, corre para muitos o se ela estivesse viva! No meu caso, a minha,  mesmo como seus 96 anos, como seria o dia de hoje?

Assim homenageio todas as mães, desde a minha mulher e evocando a minha mãe, atuo com reconhecimento pelo tanto que fez por nós,  filha de estrangeiros, sei dos enormes sacrifícios que a vida lhe imputou e somente hoje, na condição de pai e ao ver minhas três filhas se relacionarem com a minha mulher, consigo ver algo que me escapava no seio do meu lar de infância e juventude e fico com a certeza de que as decisões maternas requisitam ser respeitadas, mesmo quando a leitura dos fatos pelos filhos possa ter gerado zanga, diante da racionalidade, quando queríamos saídas fora desse campo. Por isso e muito mais, mãe é uma só, mesmo sendo múltipla.

14 de maio de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Renovar é preciso – Eleições para o Parlamento em Dois Turnos

11 de maio de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Entendo oportuno reproduzir sentença inquestionável do Professor e Advogado Plínio Melgaré, em ZH de 09/05, na pg 25, para buscar sensibilizar meus interagentes, para que busquemos alternativas para mudar o quadro que se apresenta desfavorável ao cidadão e à vida do País. Despido de vaidade, afastando presunções de entender ser única saída, mas tão somente uma alternativa para neutralizar o mal, propugno por eleições para parlamento em dois turnos, como uma boa saída para mudar, por certo acompanhada de outras medidas que urgem.

Assim se expressou o aludido respeitável Professor: “Neste cenário, movido pelo forte instinto de sobrevivência, a classe política acena com discursos ilusórios, propondo novas eleições. Com as regras que estão postas, novas eleições apenas pintariam com verniz uma casa cujas fundações estão corroídas”. Pois parece que eleições nos termos tradicionais, sem que adote novos critérios, seria abonar o mesmo e oportunizar a sequência do fomento das mazelas, das apropriações indevidas e do jogo interesse, com tramoias apenas ganhando mais sofisticação, pois depois da Lava Jato, apenas dobrará o cuidado.

Diante disso, me filio aos que entendem que precisamos chamar uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva e Eleições Gerais para 2018 e, que assim seja sempre, para que se evite que políticos tradicionais sigam dando pulinhos, daqui para lá e, de lá para cá. Precisamos de novas regras para reger os mandatos dos parlamentares e o processo eleitoral.  Inadmissível pois, seguirmos botando fora nosso voto, como fiz mais de uma vez, pois votei  num candidato para ser Deputado e noutro para Vereador e logo em seguida os vi integrando o Secretariado dos Governos, dentre outras.

Para concluir e sendo enfático na minha posição, repito que venho, de longa data, após longas leituras sobre o tema e diversas interações, que chega a hora de contarmos com mecanismos que propiciem que os mandatos eletivos não tenham feições de profissão, como hoje ocorre, vez que mandato parlamentar precisa ser entendido como encargo cívico e temporário.

Reitero então minha posição favorável para que contemos com eleições para o parlamento, (Senado, Câmara Federal, Assembleias Legislativas e Câmara de Vereadores), em única data, de quatro em quatro anos e em dois turnos, sendo que no primeiro turno só participe os políticos com mandato, dos quais apenas um terço dos eleitos irá disputar as eleições no segundo turno com os novos candidatos. Assim, dispensando dois terços, teremos uma consistente renovação, lembrando que os integrantes do terço eleito no primeiro turno, só poderão cumprir mais um mandato, se eleitos forem no segundo turno, quando disputarão com os novos candidatos. Todos eleitos deverão atuar nas Casas Legislativas para as quais se candidataram e, se aceitarem ocupar cargos no Executivo, automaticamente cederão, em definitivo sua cadeira ao suplente.

Peço leitura com atenção e, se possível, complemente esta posição e interaja o quanto possível, pois importa que participemos, inobstante a descrença de muitos amigos e familiares quanto à impossibilidade de mudar a essência desse processo, ultrapassado e abusador que vige. Entendo, pois, que uma voz isolada ecoa pouco, mas a do coletivo tem grande alcance e sensibiliza até os insensíveis insensatos homens públicos que se instalaram no Poder e que atuam a desconsiderar as causas públicas a que se comprometeram defender.

11 de maio de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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Ilegitimidade dos Tribunais 

04 de maio de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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A postura acintosa de alguns Ministros do STF, impende questionar sobre  a  legitimidade das suas  decisões, assim como da legalidade da posse de quantos foram indicados por Lula e Dilma, com também por Temmer, tudo com base no  Artigo 37 da Constituição Federal. Veja-se que os crimes que se apontam aos políticos , sejam  de corrupção e demais, como também os eleitorais, por óbvio, estavam sendo perpetrados nos Governos que os indicaram e por certo, nada desconheciam e até possam ter dado assessoramento jurídico, posto que íntimos do Poder. Resulta então que houve quebra de princípios nos atos de indicações, notadamente quanto à moralidade, a pessoalidade e por óbvio, a legalidade.

Então, quem os julgará? Gostem ou não, convivemos com a quebra do Estado Democrático de Direito. Por via de consequência, a sociedade requisita o devido restauro. Ora, se o até então respeitável e quase inquestionável Poder Judiciário, hoje escancara comprometimento, parcialidade e até clientelismo, o que se pode esperar que mais aconteça? Não é acusação leviana e sim constatação irrefutável que ganhou as ruas, os espaços públicos de interação e é tema que não sai da boca do povo.

Por evidente que não se pode contribuir para a desesperança das pessoas, em especial dos mais jovens, segmento em que reside nossa confiança de estarem  recolhendo grandes lições, para evitar a reiteração de práticas que refutamos e que denigrem os Poderes da República. E nestes termos, estamos a reivindicar, mesmo sem saber para quem, que tomem as rédeas desse caos instaurado e dê novo rumo à gestão, à administração e à governabilidade do País, pois atitudes omissivas e permissivas, como as de conveniência que hoje ocorrem, apenas apressam a chegada de males maiores.

O quadro atual recepciona muitas sugestões para mudanças, algumas contando com cautelas para que não descambe para uma Ditadura que possa se instalar por longos anos e outras,  com o entendimento que esse é o melhor e único caminho.  Algo, por evidente, precisa acontecer para mudar e se não acontecer  com a força indispensável para estancar o caos, Este virá do seio da sociedade e com formas  até mesmo inesperadas.

Por tal situação, entendo urgir que se instale uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva, com restrições e impedimentos para que nela tenha assento os parlamentares que detém mandato e que se acham sob suspeição, indiciados e processados, assim como ocorra Eleições Gerais em 2018 e Nova composição dos Tribunais Superiores somente por Desembargadores dos Estados e os Federais. Vedação de Re-eleição e dois turnos para o Parlamento, com dispensa de dois terços no primeiro turno e o terço eleito, irá  disputar com os novos. Dentre outras…

04 de maio de 2017 – nelson.pr@terra.com.br
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