“Haja confiança” – Cel Pafiadache

Cel Nelson Pafiadache da Rocha – Ex-comandante geral da Brigada Militar

z-cp-21-mar-16

Olhar atento sobre a segurança

10  junho  2016 –   nelson.pr@terra.com.br

Haja confiança

                                                                                                                                                            Luto para aprender a confiar mais no ser humano,

mas algunss que protagonizam, me deixam

com um pé atrás!

Sempre desconfiei quando pessoas que contribuíram com a minha formação e preparação para a vida diziam que devemos confiar no ser humano, pois pequena minoria nos trai a confiança. Assim, não batia pé, mas vi, por alguns, frustarem tal dito, claro, de forma explícita, quando flagrados. Sabe-se, no entanto, que de maneira enrustida, ao menos em pensamento ou com certeza da impunidade, correm muitos atos reprováveis, porque somos tentados a alguma transgressão, mas pela força da renúncia, a qual vai se sedimentando ao longo da vida em face da educação que recebemos, pelo perdão que nos concederam, pela paciência de tantos que nos rodearam e também pelo desfecho de maus atos que sofreram reveses, nos conduzimos em bons termos.

Assim, então concebo uma divisão de posturas, mesmo sabendo exitir muitas razões para fundamentar a honestidade dos homens, como outras tantas para a transgressão, cuja gradação dessa, além de ser reprovável para uma convivência pacífica, tem algumas que chamam mais nossa atenção, porque chocam em muito nossas expectativas de que pudéssemos evoluir para o bem em passos mais acelerados.

Quem desviou os donativos arrecadados em bela ação dos integrantes da Sociedade Hebraica, parece que visou lucrar com atos de mercancia: pura ganância, aduzida por uma insensibilidade incomum!

A chacina de uma família da Zona Norte da Capital, desponta autoria, como causa desentendimento de casal, em face de negação de paternidade e demais ingredientes tumultuosos que situações dessa ordem envolvem. Ora, nesse caso, primeiro refiro-me a insensibilidade de apontado autor, para depois assinalar a bestialidade, incomum em bestas, quando de quatro patas. Isso só o de duas pratica!

Quanto aos computadores roubados de uma Escola também da Capital e parte deles localizados na residência de um Policial Civil, também deixa-nos perplexo e a se confirmar sua participação, importa consentir a perversidade com que um servidor público possa se conduzir. Claro que não merece consideração alguma, vez que nestes tempos tão difíceis para a Segurança Pública, a quebra de confiança ocorre, mesmo diante de um ato apenas praticado por um insensato que não se respeita e, menos ainda, a sua respeitável Instituição de relevantes serviços prestados e que no dia a dia luta para se qualificar ainda mais.

Ora, apresentado um álibi frágil, chama também nossa atenção o fato de ser sócio de uma empresa de segurança, pois isso bem vem demonstrar ser pessoa de personalidade dúbia, pois ao certo, vive o conflito da busca ferrenha pela pecúnia, pela atividade comercial, cujo lucro é da essência e do cumprimento do seu dever funcional, o qual exige dedicação exclusiva. Assim o que se vê, que claramente atua na vida com conflitos, que de alguma forma, traz a lume outro: entre o bem e o mal! Parece que neste, foi explícito pelo mal que deixou de estar enrustido.

Seguirei na minha luta para deixar de confiar, desconfiando, pois quando firmo o primeiro, vem uma avalanche de protagonismos que o falseia!

10  junho  2016 –   nelson.pr@terra.com.br

Z CP 21 mar 16

“A vida é bela” Cel Pafiadache

Cel Nelson Pafiadache da Rocha – Ex-comandante geral da Brigada Militar

z-cp-21-mar-16

Olhar atento sobre a segurança

07  junho  2016 –   nelson.pr@terra.com.br

A vida é bela!

Era assim que uma mulher negra, de rala cultura se expressava quando lhe acometiam dizer algo nalgum evento. Por evidente, o meio do marido agregava pessoas de cultura díspar em relação a dela, o que lhe impunha atuar sobre a forma de síntese, que a tornou conhecida nesta forma de se expressar e que lhe socorria e dispensava discursos mais extensos. Salvava-se de gafes que oportunizam discursos, além do constrangimento que poderia sobrevir. Então a síntese que fazia quando lhe acometiam falar, de que a “vida é bela”, virou chavão e até palavra de ordem, a título zombeteiro por parte de alguns jovens, cuja a vida ainda não havia lhes mostrado que o senso prático e valores intrísecos do ser humano, em muito podem superar resultados protagonizado por literatos e gente de bela fala.

Mais adiante, vim a vizinhar com dita senhora na Capital e aí cumprimentando-a e por vezes dialogando com ela, uma simpática mulher e incapaz de qualquer gesto a constranger quem quer que fosse, me permiti indagar do porquê sua casa exalava odores na produção do almoço por mais tempo que o normal, até para saber se atuava comercialmente no ramo. A resposta veio de pronto e numa singeleza incomum, dando conta que ela cozinhava duas vezes, ou seja, para dois segmentos: um pouco para sua pequena família e outra, em maior quantidade, para um grupo de crianças famintas de vila próxima. Consenti que sua costumeira expressão tinha o maior sentido e de tantas andanças, com poucas pessoas interagi que pudessem contar com a autorização de proferir tal sentença com tanta desenvoltura. Algum tempo depois veio a falecer e imagino que por onde paira seu espírito, este quando questionado sobre o sentido da vida, apenas sintetiza: “A vida é bela!”

Disso recolhi que cada um pode ser grande a sua maneira!

Volta é meia me pego a consentir que a vida realmente é bela!

A vida é bela de verdade!

Trata de um tipo invulgar, um homem de valores, um formador por excelência, que repassou grandes ensinamentos para nossa geração em formação na caserna e mais não digo para não denunciá-lo, pois ele ficaria constrangido. Assim dou conta de um briga séria que tive com ele, até porque minhas brigas ocorrem, invariavelmente com amigos. Então cobrei forte dele a sua ausência em reuniões que programávamos para análises, estudos e conclusões de assuntos de ordem institucional, vindo como resposta dele sobre a sua indisponibilidade nos horários dos nossos encontros. Irresignado encerrei o diálogo e balbuciei que nossa omissão se assemelhava a dos ferroviários do Estado na fase pré extinção da Viação Férrea e tudo o mais que integra minha fala em situações que tais. Saí dali não a pensar numa mulher ou num time, apenas na sua reprovável retração com nosso empreendimento e ainda, a ruminar seu dito final, de que confiava no talento das pessoas do meu grupo e que tinha certeza que ele ajudava mais indo para seu compromisso de alguns anos, do que estando conosco. Passado alguns dias, encontrei um amigo em comum, também admirador e grato por tanto que dele recebemos para utilizar com êxito na vida, quando então ao narrar minha indignação, foi me dito que nosso colega, bem mais antigo, formado no início dos anos 60, no antigo CIM, fazia mais falta, de fato, onde tinha compromissos de alguns anos, pois atuava com denôdo em casa de assistência às crianças com vida vegetativa e além do trato com assuntos administrativos, junto com sua esposa, também se encarregava de auxiliar na higiene e a alimentar seus internos.

Nossa crença numa das maiores referências morais do nosso tempo seguem incólumes, pela certeza de a vida do amigo, orientador e humanitário brigadiano, será sempre bela e exemplar!

07  junho  2016 –   nelson.pr@terra.com.br

Z CP 21 mar 16

“Cultura a explicação…” Cel Pafiadache

Cel Nelson Pafiadache da Rocha – Ex-comandante geral da Brigada Militar

ZCel Pafiadache

Olhar atento sobre a segurança

02  junho  2016 –   nelson.pr@terra.com.br

Cultura – Uma boa explicação

Aprendi desde cedo que a cultura não se regulamenta, pois ela se edifica em expressão e manifestação popular, pela reiteração de práticas do povo, sua assimilação ou mesmo rejeição e assim vai sendo construída. A cultura caracteriza um povo como decorrência das suas manifestações do cotidiano que se entrelaça com as artes e as fomenta, vindo a impedir que a construção da sua própria história esmaeça.

O entendimento do exato sentido da cultura, sei não ser fácil explicar, mas apenas sei que difere tanto do que alguns interessados possam propalar ou consentir, ainda mais quando nos defrontamos com interesses comerciais e de sobrevivências descompromissadas, a extorquir governantes em troca de adesão ou publicidade. Então apenas reproduzo situação que assisti numa cidadezinha do Interior, dias atrás, quando tal assunto rondou uma pauta amistosa, entre desiguais em escolaridade.

Eis que o menos letrado quis saber então o significado do que ouvia e ainda por cima reforçou seu clamor , vindo a indagar o que seria cultura? Foi um Deus nos acuda o intento do erudito buscar êxito na explicação, para repassar ao agricultor daqueles confins do nosso Rio Grande.

Disse o letrado em algum momento, que se agrega cultura recolhendo manifestações de práticas de usos e costumes regionais, da música, do artesanato, do plantio, da colheira, das conversas, das prosas, versos, predileções desportivas, costume de caça, de pesca, do sistema construtivo, dos divertimentos e até do linguajar cativo regional ou específico de profissões e muito mais disse, sem que pudesse satisfazer a pleno a angústia do matuto.

Quase perdida a batalha, eis que levanta o dedo indicador da mão direita um miliciano, o comandante do destacamento local, o qual dotado de muita pratricidade, atravessou a empreitada do culto homem, que quanto mais falava, mais se enredava e mais inquietação produzia no interlocutor. Assim sentenciou o distorcido brigada, após levar até a garganta uma dose do liso que optara em detrimento da mistura do butiá:

– Olha aqui o Marimbondo – era o apelido do alemãozinho que contava com algumas sardas – cultura é algo muito simples, que embora tu nunca vai ver, tocar ou degustar, mas é algo que entra em ti e tu nem sente, mas sabe que está em ti. O resto é só firula e nem depende de patrocínio de governo e menos ainda de achaque de malandros. Portanto, nem precisa virar um Ministério, pois é coisa muita ligada à Educação e essa sim, precisa de gente com “café no bule” prá botar criança no colégio e formar técnico e doutor. Como dizem, para traçar diretrizes que se cumpram País afora!

Ora, vamos ser práticos, estamos numa pindaíba de dar dó, então por enquanto e um órguinho já ajuda!

02  junho  2016 –   nelson.pr@terra.com.br

Z CP 21 mar 16