Imortal da Academia Montenegrina de Letras

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No último dia 23 de Agosto foram empossados quatros novos membros da Academia Montengrina de Letras. Tomaram posse os escritores: Oscar Bessi Filho, ocupante da Cadeira de Nº 13, que tem como patrono Glauco Flores de Sá Britto; Maria Isabel Petry Kehrwald, ocupante da Cadeira de nº 14, que tem como patrona Élida Druck; Márcia Martiny, ocupante da Cadeira de nº 15, que tem como patrono Othelo Rodrigues Rosa e, Carlos Fernando Leser, ocupante da cadeira de nº 16, que tem como patrono Celso Pedro Luft.
O primerio acadêmico citado, Oscar Bessi Filho é Capitão da Brigada Militar, serve no 5º BPM, em Montenegro, também, filho do Cel da BM, de quem herda o nome. O Cap Bessi é colunista do jornal Ibiá, de Montenegro e do jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, além de autor de diversas obras de contos e crônicas. Juntamente, com os Coronéis Joaquim Moncks e Moisés Menezes, são estes três, as atuais expressões das letras brigadianas, de maior repercussão acadêmica ou em mídia de abrangência geral.
Na foto ao lado, Bessi com seu pai, o Cel Bessi, na solenidade (formatura) do recebimento de seu espadim Tiradentes, na Academia de Polícia Militarem Porto Alegre.

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O menino que escreveu a carta

Publicado no jcb 227, Setembro de 2014.

O pai do menino que escreveu a carta está preso. A mãe, internada. Se é que ainda está, eis que sempre foge e sempre volta, e volta e foge, e reaparece pior do que sempre, louca de pedra, louca de pinga, louca de louca. E quando fica louca, gosta é de bater. Nele, nos irmãos, nos meio-irmãos. Nada de novo. Quase todos que ele conhece têm essa mania. A vó bate nele se não vende tudo, bate nas gurias antes de arrancar o dinheiro das mãos delas, depois que os homens saem do quarto, suados e rindo, esfregando barrigas, fechando braguetas. Estes homens também se divertem lhe dando uns cascudos. Mas o menino não fala sobre bater, na sua carta. Nem sobre pai. Mãe. Avó.
O menino que escreveu a carta nunca acreditou em Papai Noel. Ele não acredita em fantasias. Em carinho. E amor, fé, ceia, presente, luzes, família e colo estão entre as tantas palavras que não lhe têm qualquer sentido. O natal é só mais um dia que passa, asfixiante, imerso na água fervente de um amuamento tão inflexível quanto irregular e impiedoso. Ele não sabe se sonha. Sonhar? Com o que se sonha? Pra quê? E nunca entendeu muito bem mesmo esse papo de neve em pleno calorão, velhinho vestido de vermelho mostrando preço de TV e videogame, carroça que voa nos panfletos das lojas. Vez ou outra vem um sujeito de barba falsa ali no beco, distribui balas e brinquedos baratos, perde a paciência logo depois de posar para fotos e se vai, deixando a vida como está. A ruela com o mesmo cheiro de lama e carniça. Para este cara, o menino não escreveria uma carta.
O menino que escreveu a carta só sabe, de aprender a saber, que a polícia é inimiga, que o governo é inimigo, que os carros escuros, ou os carrinhos de bebê, ou tudo que corre lá embaixo é inimigo. O sol e o céu, as nuvens e as águas. Inimigos. Menos a sombra. O menino que escreveu a carta vive nas sombras, à espreita. Sobreviver é dar o bote. E ver até onde vai. Ele só escreveu a carta porque os meninos todos também andavam escrevendo cartas, até quem nem era mais menino, pedindo isto e aquilo pra ver se colava. Ele achou que sonhou, e o sonho era a sua vida, menino. Que nem escreveu a carta. Não sabia escrever, pediu para outro. E a afável senhora dona de uma estética, que pegou a carta para embelezar o mundo ao redor, ficou assustada. Contrariada. Decepcionada. Ou nada disso. O menino que escreveu a carta pedia ao Papai Noel uma pistola calibre 40.

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Capitão Oscar Bessi
www.oscarbessi.com.br