A Liberdade em chamas

Publicado no jcb 220, Dezembro de 2013.

A democracia não está em cheque. Nunca estará. A democracia é fundamental, é um requisito para o exercício da racionalidade. Ela é, e sempre será, a chave primeira para a liberdade humana. Ela terá relação direta com a consciência, com o respeito ao outro e com a essência de nossa humanidade. A democracia não se ameaça com gestos de violência individual ou coletiva. Seja esta violência um preconceito, uma licitação fraudulenta, um hospital público que nega qualquer atendimento ou o tiro de um assaltante. A democracia é uma instituição invisível e ideal. Não é mutável, nem negociável. Ela é. Ou não é. E só pode ser plena, que democracia pela metade não é democracia, é engodo. É golpe.
O que está posto à prova é o quanto sabemos sobre o que ela realmente significa. Afinal, o que é democracia? Como se faz democracia? Como a percebemos garantida? Ela pode se resumir à simples troca da turma que está no poder? Ela se sustenta ou se pleiteia com mortes, como no Egito? E a liberdade? Onde anda a liberdade, a verdadeira liberdade, aquela que não pisoteia vidas a guisa de se garantir por aí?
Pois esta liberdade está em chamas. E são as chamas de um atentado, de um terrorismo intenso e implacável, de uma condenação sem qualquer chance de defesa. A liberdade, a verdadeira, corre perigo de desaparecer por completo. Se é que algum dia apareceu. Ela está em chamas nas chamas da escola em Eldorado do Sul. Está em chamas nas chamas e no sangue a dar pinturas tétricas às ruas do Cairo. A liberdade desaparece no desaparecimento de Amarildo. No desaparecimento da dignidade de professores e policiais. No desaparecimento das verdades. No estímulo ao álcool, ao jeitinho, à música da mulher-coisa, à impunidade, ao dar de ombros. A liberdade queima na nossa ignorância confortável. A liberdade desaparece na nossa incapacidade de fazê-la aparecer.

24 - Cap Bessi

Capitão Oscar Bessi Filho

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