A importância do olhar atento

Publicado no jcb nº 213, de Fev de 2013

Crônica do Cap Oscar Bessi Fº, publicada no jornal Correio do Povo em 19/08/2012

Os exemplos arrastam. Já a desatenção permite o desvio. A educação de berço, de família, tem diversos princípios básicos universais que já sabemos. Um filho repete o comportamento dos seus. E, se seu erro não for corrigido, virará costume. Como é da natureza humana exigir o rigor das regras apenas para os outros. Punição? Multa? Fim da impunidade? Não para mim! Confúcio dizia que “por natureza, os homens são próximos, a educação é que os afasta”. Pois bem. Desvios de conduta são típicos de qualquer grupo humano. E, onde houver alguma relação de poder, aí a coisa fica ainda mais tentadora. Escorregões são previsíveis. Como são necessários os mecanismos para evitá-los ou, pelo menos, reparar estragos feitos.

Temos visto policiais heroicos todos os dias salvando vidas, protegendo, se arriscando, tirando traficantes das ruas, fazendo muito por nós e por nossos filhos. Mas temos visto também, infelizmente, maus policiais. Eu insisto: precisamos olhar o policial com respeito, mas não respeito de medo, e sim aquele que vem do referencial de conduta e valores, da admiração.

Vale para gestores públicos, também. Valorizar, equipar, instruir seus policiais e, ao mesmo tempo, estar atento aos seus erros.

Nesse sábado, 18 de agosto, a Corregedoria-Geral da Brigada Militar completou 15 anos de criação. É o canal de comunicação entre a Brigada Militar e a sociedade gaúcha para o encaminhamento de queixas, denúncias e também elogios envolvendo PMs.

Pensamento meu: se alguém veste esta farda pensando em se dar bem, pedir propina, se mancomunar com bandido, se esconder do perigo ou ganhar vantagem pessoal, francamente, não honra seu coturno. Muito menos o imposto do cidadão. E, a cada ano, a Brigada Militar abre diversos inquéritos e procedimentos disciplinares para apurar suas próprias falhas. Tá. Nós, que estamos cá na linha de frente, achamos isso incômodo em certas horas. Porque tem bandido que já vem com discurso pronto, acusando policial de enxerto, de agressão e tudo mais.

Outros se acham acima da lei, um desaforo o policial aplicá-la. Agora, apurar os fatos, de forma imparcial, é básico para uma instituição séria, já que muito sérias também são as necessidades do povo.

Uma sociedade em busca de Polícia forte. E Polícia forte é Polícia íntegra e confiável, antes de tudo. Liberdade, sim. Mas com olhar atento. Como o pai que não se desliga do filho, valoriza seus acertos, mas corrige quando necessário. O correto é a única cultura admissível.

E respeito é assim: nem farda, posto, diploma, título ou sobrenome garante ou concede. Muito menos se compra na esquina. Respeito de verdade é dado pela retidão do caráter. Pelo comportamento.

 

O capitão Oscar Bessi Filho

é oficial da Brigada Militar, servindo no 5º Batalhão de Polícia Militar (5ºBPM), com sede na cidade de Montenegro, destacado como comandante do Pelotão de São Jerônimo.

Seu e-mail pessoal é:

oscar@oscarbessi.com.br

A presente crônica foi publicada no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, que circulou no domingo,  dia 19 de agosto de 2012.

24 - Bessi no trabalho (Small)

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