Pê ó! peozito…

Publicado no jcb 227, Setembro de 2014.

PO é uma abreviatura que significa “posto de observação”. Isto denomina o local onde fica isolado um policial militar com a finalidade de, no serviço de policiamento, efetuar observações.
Pois um Tenente que servira sempre na fronteira mais precisamente em Santana do Livramento na divisa com o Uruguai, acostumado ao uso de termos fronteiriços foi inusitadamente transferido para o 9º Batalhão de Polícia Militar em Porto Alegre.
Encarregado do seu primeiro trabalho de “oficial de serviço” na capital, dirigiu-se numa viatura para o centro da cidade a fim de estabelecer-se em um “posto de observação”.
Como já passara relativo tempo e o Tenente não comunicara para a “sala de operações” a sua localização, norma exigida para que esta tenha o controle de todos os postos e viaturas, o operador do rádio da mesma chamou a viatura pedindo a localização.
Prontamente respondeu o oficial:
– Tô aqui na volta do mercado fazendo um PEOZITO, no más…

 Cel Afonso Ev Apesp

Cel Afonso Landa Camargo

aafonsolc@gmail.com

Outros textos do autor em:
http://www.abcdaseguranca.org.br/?cat=132

 

 

Legítima defesa

Publicado no jcb 226, Agosto de 2014.

Soldado antigo, já quase em época de ser transferido para a reserva, estava sendo processado por homicídio.
Ao ser perguntado pelo Juiz de Direito sobre como ocorrera o fato, alegou legítima defesa, dizendo:
– Pois eu embretei o crinudo num canto da cerca e me escondi meio oitavado de revólver na mão. Aí, esperei ele atirá em mim e contei os tiro, pois sei que um revólver tem seis bala: um, dois, três, quatro, cinco, seis. Quando eu contei a sexta bala zuniu perto das minhas venta e vi que Le não tinha mais bala, eu fui lá e lastimei o índio. Tudo em legítima defesa, pois eu esperei ele me agredi primeiro.

Do livroPolítica & Polícia da “terrinha”, PolostEditora/Apesp, Porto Alegre, 1995.

Cel Afonso Ev Apesp

 

 

 

 

 

 

 

Cel Afonso Landa Camargo

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O discurso

Publicado no jcb 225, Jun/Julho de 2014.

Pois numa campanha política, nosso edil, de um palanque, discursou primorosamente para seus eleitores:
– Eu sou um índio bueno, trabalhador. Que digam os que me conhecem. Na minha família não tem vagabundo. Todos são trabalhadores. Vejam que enquanto eu estou na campanha pra vereador, minha mulher está lá na fazenda se VIRANDO com a peonada.
No mesmo discurso, prometeu fazer gestões para mudar a LEI DA GRAVIDADE sob a alegação de que já procurara em vários “Diários Oficiais” e nunca vira nada escrito sobre ela. Em consequência, disse:
– Essa deve de ser uma das tantas leis deste Brasil que nunca foi aplicada.

Cel Afonso Ev Apesp

 

 

 

 

 

 

 

Cel Afonso Landa Camargo

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Conto: Camanguinhas

Publicado no jcb 224, Maio de 2014.

Como ninguém é de fero, o edil da ‘’terrinha’’ saiu para dar umas voltas de carro e ver se conseguia umas prendas meio desfrutáveis para dar uma ‘’riscadinha fora da caixa’’.
Não foi muito difícil. Pegou duas de uma só vez e, pra não dar na vista, rumou para uma cidade próxima, cerca de uns 40 km de distância.
Já ao anoitecer, chegando à cidade vizinha onde desfrutaria as conquistas, uma das mulheres reclamou estar com sede e pediu refrigerante.
Imediatamente, o nosso herói foi até um bar próximo, parou o carro e desceu deixando as duas mulheres no seu interior. Dirigiu-se ao garçom e pediu:
– Me dá duas “Pepsi-cola índio velho”!
Referindo-se ao tamanho das garrafas, o garçom perguntou:
– Família?
– Não. São duas CAMANGUINHAS que eu peguei lá na minha terra.

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Cel Afonso Landa Camargo

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Tudo é cavalo

Publicado no jcb 222, Março de 2014.

Nas unidades de policiamento montado ( os Regi-mentos) sempre são realizadas instruções obrigatórias “a cavalo”, participando todos, oficiais e praças indistinta-mente.
Num desses regimentos, servia um Major, como subcomandante. Bastante corpulento, por essa condição, tinha dificuldades até para calçar as botas. Sem contar a dificuldade dos pobres cavalos para suportá-lo.
Apesar dos problemas, associados ao fato de que nunca foi bom cavaleiro, para dar exemplo aos demais participantes das instruções, nunca deixou de montar, mesmo que fosse por poucos minutos.
Na instrução, quando todos os cavaleiros se prepa-ram, com suas montarias, para saltar obstáculos armados na pista de treinamento, o Major, como de hábito, tomou a iniciativa.
Esporeando o cavalo, galopou em direção ao pri-meiro obstáculo,não muito alto, e o animal, já com dificul-dades em suportar o pesado cavaleiro, recusou-se a saltar, dando o tradicional “refugo” antes do obstáculo e levando-o por diante. O nosso cavaleiro, com a “freiada” inespera¬da, saiu de cima da sela e foi parar no pescoço do pobre animal, sem cair no entanto.
Tudo isto aconteceu abaixo das risadas dos demais participantes que assistiam a cena, satisfeitos. Afinal, não é comum montar um cavalo, assim, pelo pescoço.
Ouvindo e não gostando das risadas, o Major, no pescoço do quadrúpede, que cedeu e lhe fazia encostar os pés no chão, dirigiu-se ao alegre grupo:
– Vocês estão rindo de quê? Por acaso pescoço também não é cavalo?

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Cel Afonso Landa Camargo

aafonsolc@gmail.com

Sai bem devagarinho

Publicado no jcb 221, Janeiro de 2014.

E foi aí que o vereador da “terrinha” resolveu, após muitos e muitos anos, dirigindo veículos sem habilitação para tal, prestar exames para habilitar-se.
Até então, ele nunca se preocupara com isso . Por demais conhecido na cidade, nunca enfrentara problemas com brigadianos, até mesmo porque estes, vendo dirigir diariamente, nunca imagiraram que ele pudesse não ser habilitado legalmente. Tanto, que o fato dele ter procurado a Delegacia de polícia para tirar a carteira, causou surpresa. Mas bem,este não é o caso. O vereador estava preocupado em, um dia, deparar-se com o zeloso policial que prendeu o advogado e ter um de seus veículos “murtado e recoído”.
Chegando na Delegacia, foi atendido pelo Inspetor Lagranha, que levou o nosso herói para fazer o exame de direção.
Mas o vereador estava afiado. E era um “entra aqui”, “dobra ali”, faz “segunda” e faz “terceira” e o motorista não se abalava. Afinal, era antigo e experiente.
Foi num desses vaivém que o lagranha resolveu aplicar um dos testes mais difíceis, que consistia em parar o automóvel em uma subida forte, desligar o motor para, depois, fazê-lo funcionar e arrancar com ele. Muitos candidatos terminavam voltando com o veículo para o início da subida.

Pois o Lagranha, muito delicadamente e em respeito ao nosso candidato, disse:
– Vereador, agora o senhor para o carro no meio da subida, desliga o motor e SAI BEM DE VAGARINHO.
Nosso personagem não teve dúvidas. Fez tudo o que o examinador pedira, só que em vez de arrancar com o automóvel, abriu a porta, desceu do dito e, na pontinha dos pés, passou a andar em volta do veículo.

Cel Afonso

Cel Afonso Landa Camargo

aafonsolc@gmail.com

Troco

Publicado no jcb 220, Dezembro de 2013.

Patriarca de tradicional família da Terrinha, faleceu meio que subitamente. No velório, toda a família reuniu-se entre choros e outras manifestações desusadas.
Onze filhos, todos eles bem encaminhados na vida, alguns eram abastados fazendeiros.
O patriarca era homem de muito dinheiro, um milionário como diziam na época. É muito apegado a bens materiais. Tanto, que apesar dos bancos já estarem em alta, ele ainda não se continha e guardava algum dinheirinho sob o colchão para senti-lo e assim, dormir mais tranquilo.
Foi em meio aos choros e lamentos, que a mulher do patriarca propôs aos filhos e aos netos já encaminhados na vida, que pusessem cada um dentro do caixão, mil cruzeiros. Na época ainda era um bom valor, com que se podia fazer alguma coisa extra. Prontamente, já imaginando a alegria do patriarca em ir para a última morada sobre um dinheirinho razoável, todos concordaram e começaram a desembolsar o valor sugerido. Só um dos filhos dele não se “coçava “, olhando tudo meio oitavado num canto da sala. Eu disse sala, porque naquela época os velórios eram feitos em casa.

Não havia essa história de capelas e outros luxos.
Vai daí, que juntaram a barbaridade de quinze mil cruzeiros entre dinheiro dos filhos e dos netos. Aquele que ainda não se “coçava” puxou do bolso da bombacha um talão de cheques, preencheu uma folha com o valor de dezesseis mil e colocou-a dentro do caixão, tirando, em seguida, os quinze em dinheiro como troco e ainda explicou:
– Vocês sabem que só uso cheque – e saiu da sala lambendo a ponta dos dedos para conferir o troco.

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Cel Afonso Landa Camargo

Do livro Política & Polícia da terrinha – contos humorísticos, Polost/Apesp 1995.

Livro: Amores dos Oficias de Milícia

Autor: o coronel e publicitário Bento Mathuzalém de Vasconcelos

Livro Cel Bento

Contando com a presença de mais de uma centena de colegas, amigos e parentes, o Cel Bento Mathuzalém de Vasconcelos fez o lançamento, no último dia 07 de novembro, do seu primeiro livro, Amores dos Oficiais de Milícia, em Cerimônia organizada pelo Comando da Academia de Polícia Militar.
A Solenidade, prestigiada pelo Gen Div Res Álvaro Calazans e pelos ex – Comandantes Gerais Eloi Castro Cajal e José Dilamar Vieira da Luz, além do Presidente da ASOF BM, TC José Riccardi Guimarães, contou com a descrição da obra, feita pelo Cel Alberto Afonso Landa Camargo, a quem coube prefaciá-la com moderação e justiça, segundo o autor.
Foram prestadas homenagens a dez pessoas, que o incentivaram a publicar a obra, entre elas o Comandante da APM, TC Antônio Osmar da Silva, o Cel Vanderlei Pinheiro (Jornal Correio Brigadiano), o Publicitário Cesar Carlet, o TC José Pedro Ramires Monteiro e sua neta Natália Fontoura de Vasconcelos.
Logo após a cerimônia, seguiu-se a Sessão de Autógrafos, na sala da Sociedade Acadêmica do Curso de Formação de Oficiais – SACFO-, recentemente reativada.

Fio Dental

Publicado no jcb 218, Setembro de 2013.

O Comandante da Brigada Militar local estava se despedindo, pois fora transferido para Porto Alegre. A Prefeitura, representando a Comunidade, resolveu homenagear o ex – Comandante com um churrasco, face os bons serviços prestados pelo policial.

Na mesa principal, das autoridades, lá estava o nosso vereador representando o Presidente da Câmara municipal ao lado do homenageado. Todas as autoridades locais em posição de destaque, enquanto outros lugares eram ocupados por convidados, inclusive, de outros municípios da região.

Ao lado do vereador, além do homenageado, como já dissemos, estava uma antiga professora da cidade, ocupante do cargo de Secretária da Educação.

Terminado o almoço, nosso herói empurra o prato, assopra entre os dentes na tentativa de tirar pedaço de carne que se recusava em sair dali, alojado inconvenientemente.

Não conseguindo, chama o garçom e pede:

– Me consegue um palito, índio velho!

A professora, ao seu lado, questiona:

– O senhor não usa FIO DENTAL, vereador?

-A senhora sabe que eu já pensei nisso, mas como tenho a BUNDA muito feia…

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Livro: Política & Polícia da “terrinha” Contos Humorísticos

Autor: Alberto Afonso Landa Camargo

Ilustrações: Sgt Mário Claiton Conrred Brum

Letras e Armas

Agradecimento de  Alberto Afonso Landa Camargo

Prezado Amigo Pafiadache,

Confesso que nesta noite de quinta-feira deverei descansar mais tranquilo, pois acabo de encontrar em tuas palavras a manifestação de um líder de que somos, hoje, tão carentes. São palavras de quem se coloca na posição de quem ouve e possui a capacidade de assimilar e colocar acima das vaidades, mesmo daquelas naturais do ser humano, os interesse do nosso coletivo infelizmente tão desinformado, não por sua culpa necessariamente, mas pelo descaso de dirigentes e representantes que só agem após pressões, fazendo-o desta forma, sem as convicções que os fatos efetivamente merecem.

Estas palavras que nos apresentas e a iniciativa de conversar com o comandante-geral dão mostras de que nem tudo está perdido e de que podemos confiar num canal capaz de dizer dos nossos anseios e preocupações tão demonstradas em tantas conversas e em tantas manifestações escritas que fazemos questão de expor, dado que não é do nosso feitio silenciar diante de acontecimentos que afetam a Brigada Militar, ainda mais sobre aqueles que, expondo-a, são capazes de ridicularizarem-na, frente à forma como os fatos são divulgados e comentados perante à opinião pública.

Ainda ontem, fui veementemente criticado por um colega sobre as razões que me lavaram a não me manifestar nem emitir juízo de valor acerca de uma reportagem de jornalista que aproveitou este evento envolvendo o tenente-coronel Pereira para levantar questões político-partidárias. Respondi-lhe que não o fazia porque as condutas do comandante-geral são condicionadas a circunstâncias e formalismos sobre os quais não tenho acesso e, ainda que o tivesse, não dizem respeito a mim, afastado que estou da Corporação, não tendo, portanto, o direito de manifestar-me sobre coisas que dizem respeito à administração da Brigada Militar, mormente naquilo que se refere aos interesses maiores da nossa Intituição.
Vejo agora com felicidade e após a leitura do teu texto, que comungamos o mesmo pensamento. As ações do comando devem ser respeitadas e dizerem respeito aos envolvidos diretamente na questão, dado que se trata de esfera penal, cujas participações de quem quer que seja estão sendo apuradas e no seu devido tempo serão esclarecidas. Qualquer juízo de valor da nossa parte seria uma irresponsabilidade que não estaria de acordo com a nossa conduta dentro dos parâmetros com que nos acostumamos pela nossa formação e irrestrito respeito aos nosso superiores hierárquicos independente de concordância ou não com algumas de suas ações. No que concerne ao caso envolvendo o tenente-coronel Pereira, portanto, não nos dizem respeito as formas como se estão conduzindo as ações, assim como, da mesma forma, o resultado futuro de tais condutas, sejam elas quais forem, que continuarão a dizer respeito aos envolvidos, não nos cabendo avaliações tampouco quanto a isto.

O que nos preocupou e continua a nos preocupar, no entanto, foi a exposição midiática dos fatos, gerando constrangimentos a todos nós interessados e que procuramos manter este respeito irrestrito à nossa Brigada Militar. É sobre isto que merecemos ser esclarecidos, afinal, quer queiram, quer não, somos atingidos e cobrados por nossas mulheres, por nossos filhos e pelas comunidades com as quais convivemos.

Fico tranquilo, porém, que isto já foi tratado por ti junto ao comando e este deverá esclarecer, também no seu devido tempo, para que não continuemos expostos a ilações de toda sorte e natureza por este tratamento expositivo na mídia, que, com certeza, poderia ter sido evitado. Apenas isto nos aflige e angustia e a Brigada Militar não merece este tipo de exposição, mormente se provocada por nós mesmos.

Sobre a forma com que foi tornado público este evento é que cobramos explicações, porque atingiu muito mais a Brigada Militar do que qualquer envolvido na questão.

Parabéns pela iniciativa e pela isenção quanto ao fato em si, mas também pela firmeza e oportunidade com que tudo foi conduzido. Da minha parte, podes contar com a minha participação e apoio a todas instituições representativas e dirigentes que se disponham a conduzir esta e outras questões de nosso interesse sem as ingerências pessoais e interesseiras que, infelizmente, pautam algumas condutas que acabam colocando em segundo plano, quando não em plano nenhum, os interesses coletivos e corporativos que tanto defendemos.

Um grande abraço.

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Alberto Afonso L. Camargo

aafonsolc@gmail.com