O registro da ocorrência

Tudo aconteceu porque na “terrinha” havia um advogado que estava sempre na porta da delegacia de polícia para criar problemas para os brigadianos. Digo criar problemas, porque ele não se contentava apenas em oferecer os seus serviços profissionais aos eventuais clientes conduzidos pelos policiais. Ele sempre tentava arrumar uma briguinha com os brigadianos na esperança de criar para estes um processo por abuso de autoridade, violência arbitrária ou qualquer outra coisa.

Os brigadianos da “terrinha”, assim, estavam sempre com as “antenas ligadas” na espera de flagrar o advogado cometendo algum deslize. Coisa que não era muito difícil, por sinal, pois o causídico era meio chegado a uns tragos e a umas baderninhas na zona de meretrício.
Pois foi pouca espera. Certa feita, um brigadiano zeloso, desses que era capaz de prender em flagrante por desacato até cachorro que acoasse meio desusadamente, deparou-se com uma cena protagonizada pelo dito advogado. Pois o cujo, completamente bêbado, dormia no interior do seu automóvel sobre uma calçada.
Imediatamente, o satisfeito brigadiano mandou guinchar o veículo, levando para a delegacia, inclusive, o dorminhoco causídico, que não cansava de, ponderadamente, pedir para que sua falta fosse relevada.
Foi na delegacia, que o brigadiano fez o registro da ocorrência:

“Pois eu passava nas minhas atividades pelas fronteiras da casa do “seu” Panta, quando vi o adiva bebo, drumindo e ruminando dentro do seu auto, todo arterado, praça de Cruz Arta, em riba da carçada, bem debacho da janela da casa. Acordei ele, oiô prá mim, me pidiu cuié, não dei, murtei e recuí”.

Cel Afonso Ev Apesp

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cel Afonso Landa Camargo

aafonsolc@gmail.com

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