O registro da ocorrência

Tudo aconteceu porque na “terrinha” havia um advogado que estava sempre na porta da delegacia de polícia para criar problemas para os brigadianos. Digo criar problemas, porque ele não se contentava apenas em oferecer os seus serviços profissionais aos eventuais clientes conduzidos pelos policiais. Ele sempre tentava arrumar uma briguinha com os brigadianos na esperança de criar para estes um processo por abuso de autoridade, violência arbitrária ou qualquer outra coisa.

Os brigadianos da “terrinha”, assim, estavam sempre com as “antenas ligadas” na espera de flagrar o advogado cometendo algum deslize. Coisa que não era muito difícil, por sinal, pois o causídico era meio chegado a uns tragos e a umas baderninhas na zona de meretrício.
Pois foi pouca espera. Certa feita, um brigadiano zeloso, desses que era capaz de prender em flagrante por desacato até cachorro que acoasse meio desusadamente, deparou-se com uma cena protagonizada pelo dito advogado. Pois o cujo, completamente bêbado, dormia no interior do seu automóvel sobre uma calçada.
Imediatamente, o satisfeito brigadiano mandou guinchar o veículo, levando para a delegacia, inclusive, o dorminhoco causídico, que não cansava de, ponderadamente, pedir para que sua falta fosse relevada.
Foi na delegacia, que o brigadiano fez o registro da ocorrência:

“Pois eu passava nas minhas atividades pelas fronteiras da casa do “seu” Panta, quando vi o adiva bebo, drumindo e ruminando dentro do seu auto, todo arterado, praça de Cruz Arta, em riba da carçada, bem debacho da janela da casa. Acordei ele, oiô prá mim, me pidiu cuié, não dei, murtei e recuí”.

Cel Afonso Ev Apesp

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cel Afonso Landa Camargo

aafonsolc@gmail.com

Outros textos do autor em:
http://www.abcdaseguranca.org.br/?cat=132

Letras e Armas

Agradecimento de  Alberto Afonso Landa Camargo

Prezado Amigo Pafiadache,

Confesso que nesta noite de quinta-feira deverei descansar mais tranquilo, pois acabo de encontrar em tuas palavras a manifestação de um líder de que somos, hoje, tão carentes. São palavras de quem se coloca na posição de quem ouve e possui a capacidade de assimilar e colocar acima das vaidades, mesmo daquelas naturais do ser humano, os interesse do nosso coletivo infelizmente tão desinformado, não por sua culpa necessariamente, mas pelo descaso de dirigentes e representantes que só agem após pressões, fazendo-o desta forma, sem as convicções que os fatos efetivamente merecem.

Estas palavras que nos apresentas e a iniciativa de conversar com o comandante-geral dão mostras de que nem tudo está perdido e de que podemos confiar num canal capaz de dizer dos nossos anseios e preocupações tão demonstradas em tantas conversas e em tantas manifestações escritas que fazemos questão de expor, dado que não é do nosso feitio silenciar diante de acontecimentos que afetam a Brigada Militar, ainda mais sobre aqueles que, expondo-a, são capazes de ridicularizarem-na, frente à forma como os fatos são divulgados e comentados perante à opinião pública.

Ainda ontem, fui veementemente criticado por um colega sobre as razões que me lavaram a não me manifestar nem emitir juízo de valor acerca de uma reportagem de jornalista que aproveitou este evento envolvendo o tenente-coronel Pereira para levantar questões político-partidárias. Respondi-lhe que não o fazia porque as condutas do comandante-geral são condicionadas a circunstâncias e formalismos sobre os quais não tenho acesso e, ainda que o tivesse, não dizem respeito a mim, afastado que estou da Corporação, não tendo, portanto, o direito de manifestar-me sobre coisas que dizem respeito à administração da Brigada Militar, mormente naquilo que se refere aos interesses maiores da nossa Intituição.
Vejo agora com felicidade e após a leitura do teu texto, que comungamos o mesmo pensamento. As ações do comando devem ser respeitadas e dizerem respeito aos envolvidos diretamente na questão, dado que se trata de esfera penal, cujas participações de quem quer que seja estão sendo apuradas e no seu devido tempo serão esclarecidas. Qualquer juízo de valor da nossa parte seria uma irresponsabilidade que não estaria de acordo com a nossa conduta dentro dos parâmetros com que nos acostumamos pela nossa formação e irrestrito respeito aos nosso superiores hierárquicos independente de concordância ou não com algumas de suas ações. No que concerne ao caso envolvendo o tenente-coronel Pereira, portanto, não nos dizem respeito as formas como se estão conduzindo as ações, assim como, da mesma forma, o resultado futuro de tais condutas, sejam elas quais forem, que continuarão a dizer respeito aos envolvidos, não nos cabendo avaliações tampouco quanto a isto.

O que nos preocupou e continua a nos preocupar, no entanto, foi a exposição midiática dos fatos, gerando constrangimentos a todos nós interessados e que procuramos manter este respeito irrestrito à nossa Brigada Militar. É sobre isto que merecemos ser esclarecidos, afinal, quer queiram, quer não, somos atingidos e cobrados por nossas mulheres, por nossos filhos e pelas comunidades com as quais convivemos.

Fico tranquilo, porém, que isto já foi tratado por ti junto ao comando e este deverá esclarecer, também no seu devido tempo, para que não continuemos expostos a ilações de toda sorte e natureza por este tratamento expositivo na mídia, que, com certeza, poderia ter sido evitado. Apenas isto nos aflige e angustia e a Brigada Militar não merece este tipo de exposição, mormente se provocada por nós mesmos.

Sobre a forma com que foi tornado público este evento é que cobramos explicações, porque atingiu muito mais a Brigada Militar do que qualquer envolvido na questão.

Parabéns pela iniciativa e pela isenção quanto ao fato em si, mas também pela firmeza e oportunidade com que tudo foi conduzido. Da minha parte, podes contar com a minha participação e apoio a todas instituições representativas e dirigentes que se disponham a conduzir esta e outras questões de nosso interesse sem as ingerências pessoais e interesseiras que, infelizmente, pautam algumas condutas que acabam colocando em segundo plano, quando não em plano nenhum, os interesses coletivos e corporativos que tanto defendemos.

Um grande abraço.

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Alberto Afonso L. Camargo

aafonsolc@gmail.com