O Coronel Grosso

As barbearias antigas começaram, há já alguns anos, a dar lugar aos salões de cabeleireiros, até mesmo porque esta última atividade sempre foi mais exercida do que a de barbeiro propriamente dita.

Com a evolução, os salões particulares instituíram uma inovação, que consistia na colocação de um tanque para lavar a cabeça do freguês, após o corte do cabelo. O usuário, se junta ao tanque, curva-se para frente e, com a cabeça dentro dele é, afeitado, como diriam os conterrâneos do meu filho, lá de Santana do Livramento.
Pois no Quartel do Comando Geral da Brigada Militar em Porto Alegre, que tem uma barbearia, resolveram instalar a inovação. Só que a coisa já estava mais modernizada e os tanques estavam dando lugar às cadeiras.
Nelas a posição dos usuários difere daquela que é exigida no tanque. Fica-se confortavelmente sentado e apenas inclina-se a cabeça para trás, pois que, no encosto, tem uma bacia onde o cliente é afeitado (salve Livramento!).
Assim sendo, instalada a cadeira, convidaram o próprio Comandante Geral para inaugurá-la, após, evidentemente, o corte do seu cabelo.
Vários oficiais assistiam o solene corte e esperavam ansiosos a inauguração da cadeira-lavatório, anatomicamente modelada e brilhando de nova.
Terminando o corte, o cabeleireiro (ou barbeiro) convidou o Coronel para senta-se na cadeira. E os assistentes ali, com meio-sorrisos, imponentes.
Mas, o Coronel, certamente acostumado com os tanques já obsoletos, não teve dúvidas: pulou para cima da cadeira e, de quatro-pés, enfiou a cabeça na bacia localizada atrás do encosto da cadeira e ainda lascou:
_ Anda logo que 15 minutos numa barbearia é muito tempo desperdiçado, sem trabalho!
Ao ser orientado pelo barbeiro sobre a posição correta, justificou-se meio sem jeito:
_ Mas eu sou índio grosso mesmo!

1 - Cel afonso Capa (Small)

 

 

 

 

 

 

 

Cel Afonso Camargo