Futebol de Salão

Publicado no jcb 229, Dezembro de 2014.

No tempo em que o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO) não era condição exigida para que capitães fossem promovidos ao posto de Major, era comum a frequência de brigadianos deste posto no dito curso.
Pois deixa de estar que, numa instrução de educação física do CAO, participavam oficiais que serviam no Centro de Instrução Militar (hoje Academia de Polícia Militar).
Após a instrução propriamente dita, foi acordado entre os participantes um jogo de futebol de salão. Escolhidos os times, numa das equipes foi sorteado um Major do CAO e um jovem Tenente do CIM. O Major, já antigo na Brigada e de certa idade, e o Tenente com todo o vigor físico da juventude.
Iniciado o jogo, o Tenente, bom jogador, pegava a bola e fazia misérias com ela. Mas, quando a largava para o Major, este pisava nela, caia, dava uns chutezinhos tão “xoxos” que a bola parecia tossir quando andava, de tão devagar que se deslocava.
A outra equipe, mais parelha, tocava a bola e começou a ganhar o jogo. O Tenente, é claro, irritou-se e passou a pedir mais empenho do Major que, não por má vontade, mas por deficiência futebolística mesmo, não conseguia desenvolver melhor atividade.
Mas o Tenente não queria saber. Reclamava do Major: “não é assim”; “passa a bola”; “chuta mais forte”; “larga pra o fulano”; “mais rápido”; e o Major nada.
Sempre no seu julgamento mas já começando a se irritar com o impertinente subordinado.
Cel Afonso Camargo
Numa daquelas, já de “saco cheio”, o Major pediu ao Tenente com a sua voz rouca:
– Tenente, não ME ENERVA!
E o Tenente, vermelho de brabo pelo mau jogo desenvolvido pelo seu superior e não o tendo ouvido bem, saltou na frente dele e retrucou:
– MONTE-DE-MERDA É O SENHOR, MAJOR!
Só a intervenção dos demais participantes do jogo desfez o mal-entendimento, ficando o dito pelo não dito.

13 - Cel Afonso Ev Apesp (Small)

 

 

 

 

 

 

 

Cel Afonso Landa Camargo

aafonsolc@gmail.com

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