Tudo é cavalo

Publicado no jcb 222, Março de 2014.

Nas unidades de policiamento montado ( os Regi-mentos) sempre são realizadas instruções obrigatórias “a cavalo”, participando todos, oficiais e praças indistinta-mente.
Num desses regimentos, servia um Major, como subcomandante. Bastante corpulento, por essa condição, tinha dificuldades até para calçar as botas. Sem contar a dificuldade dos pobres cavalos para suportá-lo.
Apesar dos problemas, associados ao fato de que nunca foi bom cavaleiro, para dar exemplo aos demais participantes das instruções, nunca deixou de montar, mesmo que fosse por poucos minutos.
Na instrução, quando todos os cavaleiros se prepa-ram, com suas montarias, para saltar obstáculos armados na pista de treinamento, o Major, como de hábito, tomou a iniciativa.
Esporeando o cavalo, galopou em direção ao pri-meiro obstáculo,não muito alto, e o animal, já com dificul-dades em suportar o pesado cavaleiro, recusou-se a saltar, dando o tradicional “refugo” antes do obstáculo e levando-o por diante. O nosso cavaleiro, com a “freiada” inespera¬da, saiu de cima da sela e foi parar no pescoço do pobre animal, sem cair no entanto.
Tudo isto aconteceu abaixo das risadas dos demais participantes que assistiam a cena, satisfeitos. Afinal, não é comum montar um cavalo, assim, pelo pescoço.
Ouvindo e não gostando das risadas, o Major, no pescoço do quadrúpede, que cedeu e lhe fazia encostar os pés no chão, dirigiu-se ao alegre grupo:
– Vocês estão rindo de quê? Por acaso pescoço também não é cavalo?

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Cel Afonso Landa Camargo

aafonsolc@gmail.com